Hlib Chabaniuk

Cimeira global posiciona bioeconomia na agenda de desenvolvimento pós-2030

Cimeira global posiciona bioeconomia na agenda de desenvolvimento pós-2030
Bioeconomia além de 2030

Realizada em Dublin nos dias 20 e 21 de outubro de 2026, a Global Bioeconomy Summit reuniu mais de 1.900 participantes de mais de 65 países para reforçar o papel da bioeconomia na transformação económica e na ação climática. O encontro culminou na apresentação da Visão da Bioeconomia 2040 e dos Objetivos Globais da Bioeconomia de Dublin, numa fase em que a União Europeia procura acelerar investimento, mercados e inovação no setor.

Destaques

  • A cimeira apoiada pelo Horizon Europe posicionou a bioeconomia como pilar central do desenvolvimento sustentável pós-2030 na agenda europeia.
  • A Estratégia Europeia para a Bioeconomia de 2025 foca em aumento de escala da inovação, investimento, mercados líderes e fornecimento sustentável de biomassa.
  • O International Bioeconomy Forum, em 19 de outubro, lançou a International Bioeconomy Solutions Library e evidenciou oportunidades e desafios para cooperação científica internacional e mobilização de capital.

Resultados da cimeira e prioridades até 2040

Segundo European Commission Research and Innovation, a Comissão Europeia informou que a cimeira, integrada na Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia e apoiada por financiamento do Horizon Europe, destacou a bioeconomia como um instrumento central para moldar a agenda de desenvolvimento sustentável pós-2030. O debate centrou-se em como levar a inovação de base biológica da descoberta à escala comercial, com apoio de políticas públicas, investimento e cooperação internacional.

Os participantes defenderam que a bioeconomia pode gerar benefícios circulares e sustentáveis para a economia, a sociedade e o ambiente, ao mesmo tempo que apoia indústrias limpas, proteção da natureza e maior resiliência económica. A conferência salientou também o potencial do setor para criar novas fontes de rendimento e emprego para agricultores, silvicultores, pescadores e comunidades rurais e costeiras, reforçando o valor acrescentado local e o desenvolvimento regional.

A reunião serviu ainda para impulsionar a aplicação da Estratégia Europeia para a Bioeconomia de 2025, orientada para o aumento de escala da inovação e do investimento, criação de mercados líderes, garantia de fornecimento sustentável de biomassa e aproveitamento de oportunidades globais. Durante o evento, a comissária Jessica Roswall lançou a Bio-Based Europe Alliance, enquanto o Banco Europeu de Investimento e o Bio-based Industries Consortium sublinharam o seu papel no apoio à transição do setor.

Impacto na cooperação internacional e no investimento

Em articulação com a cimeira, o International Bioeconomy Forum, copresidido pela Comissão Europeia e pela África do Sul, realizou a sua sétima reunião plenária em 19 de outubro. O fórum adotou um documento estratégico de resultados e notas de política de investigação e inovação elaboradas pelos seus quatro grupos de trabalho, além de lançar a International Bioeconomy Solutions Library, desenvolvida pelo Joint Research Centre em cooperação com a Direção-Geral da Investigação e Inovação.

Os trabalhos do fórum deram destaque a temas como normas, biorrefinarias, microbiomas e inovação florestal, apontando oportunidades e lacunas na cooperação científica internacional. A cimeira acolheu também a segunda reunião do Bioeconomy Investment Deployment Group, que juntou entidades financeiras públicas e privadas para discutir formas de mobilizar capital para a bioeconomia europeia.

A Comissão defendeu, ao longo dos dois eventos, uma maior ligação entre investigação, política pública, financiamento, mercados e parcerias internacionais para expandir soluções sustentáveis de bioeconomia. O próximo Global Bioeconomy Summit está marcado para 2028, no Panamá.

Na nossa publicação, já analisámos o marco de Portugal ao combinar quatro anos consecutivos de crescimento do PIB com queda das emissões de gases com efeito de estufa. O texto destacou que, em 2024, as emissões recuaram para 52,0 milhões de toneladas de CO2 equivalente enquanto a economia avançou, reduzindo a intensidade carbónica e reforçando a atratividade do país para investimento alinhado com metas climáticas.

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