Mercado global de diesel depende de execução de medidas para aliviar escassez

Mercado global de diesel depende de execução de medidas para aliviar escassez
Alívio à vista para diesel

A escassez global de diesel pode diminuir nos próximos meses, mas o alívio ainda depende de governos da Europa, da Rússia e da China transformarem promessas em oferta adicional efetiva. O JPMorgan estima que as medidas anunciadas podem cobrir até 80% do déficit entre novembro e dezembro, embora veja risco relevante de parte desses volumes não chegar de fato ao mercado.

Destaques

  • A oferta global de diesel caiu para 6,1 milhões de barris por dia em setembro, um déficit de 1 milhão de barris diários em relação à demanda.
  • A liberação prometida de pelo menos 25 milhões de barris dos estoques europeus reduzirá a cobertura de demanda de 74 para cerca de 59 dias, mas enfrenta resistências e atrasos.
  • As exportações chinesas de diesel subiram de 170 mil para 380 mil barris por dia entre julho e setembro, podendo atingir 600-700 mil até o fim do ano, enquanto spreads na Europa caíram 19% em um mês, mas seguem 200% acima do pré-conflito.

Medidas anunciadas e riscos de execução

Como informou o InfoMoney Mercados, a análise do JPMorgan indica que os anúncios recentes não garantem, por si só, a entrada de novos volumes no mercado internacional de diesel. Para o banco, o principal risco está na diferença entre o que foi prometido e o que efetivamente será entregue, além da possibilidade de alguns embarques já estarem ocorrendo sem representar aumento real da oferta.

Em setembro, o mercado global de diesel registrou déficit de cerca de 1 milhão de barris por dia. O comércio internacional do combustível caiu para 6,1 milhões de barris diários, ante 7,1 milhões no mesmo período do ano anterior, pressionado sobretudo pela redução das exportações russas e pela menor oferta do Oriente Médio.

Mesmo com atividade elevada nas refinarias globais, a produção não tem sido suficiente para atender à demanda durante o pico sazonal de consumo de setembro e outubro. A disponibilidade limitada de alguns tipos de petróleo bruto, mais adequados à produção de derivados médios, também restringe a capacidade de refino.

Na Europa, o compromisso é liberar pelo menos 25 milhões de barris de diesel dos estoques da Alemanha e da França, com possível participação da Itália. O JPMorgan avalia que essa pode ser a medida de maior impacto imediato, especialmente se parcela relevante dos volumes for efetivamente diesel e se as entregas se concentrarem nos primeiros 20 dias.

O banco, porém, ressalta a resistência dos governos em reduzir reservas estratégicas. Cerca de 40 milhões de barris de liberações prometidas ainda estariam pendentes, sinalizando dificuldade para converter compromissos em oferta efetiva, enquanto a liberação dos 25 milhões de barris reduziria essas reservas em 20% e diminuiria a cobertura da demanda de 74 para cerca de 59 dias.

Rússia, China e impacto sobre os preços

O acordo entre Donald Trump e Vladimir Putin prevê exportações russas de diesel de 73 mil barris por dia em outubro, 125 mil em novembro e potencialmente 242 mil barris diários de dezembro até 1º de abril de 2027. O JPMorgan considera esses volumes viáveis, mas destaca que a Rússia já vinha exportando cerca de 140 mil barris por dia mesmo após as restrições anunciadas em setembro.

Na prática, isso sugere que o acordo pode mudar mais o status legal e os destinos dos embarques do que acrescentar volumes equivalentes à oferta global. A capacidade de exportação russa também continua condicionada à recuperação da atividade de suas refinarias.

A China surge como outra possível fonte de alívio para o mercado. As exportações chinesas de diesel avançaram de 170 mil barris por dia em julho para 380 mil em setembro, acima da média de 130 mil barris diários registrada em 2025, e o JPMorgan estima que esse fluxo possa alcançar entre 600 mil e 700 mil barris por dia de outubro até o fim do ano.

Os anúncios de expansão da oferta já ajudam a reduzir parte da tensão no mercado. Na Europa, os spreads entre o diesel e o petróleo bruto recuaram 19% em um mês, embora ainda permaneçam cerca de 200% acima dos níveis anteriores ao conflito, indicando que o alívio pode ser temporário se os compromissos não forem cumpridos.

Na nossa publicação anterior sobre a evolução dos preços dos combustíveis em Portugal, detalhámos a descida ligeira do gasóleo e a subida mais acentuada da gasolina 95, destacando também as diferenças de preços entre operadores e regiões. O texto enquadrou ainda as medidas do Governo para mitigar o impacto dos custos, incluindo um pacote extraordinário de apoio e o prolongamento do subsídio ao gasóleo profissional até ao final de 2026.

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