Vale e siderúrgicas recuam com queda do minério de ferro e pressão sobre o aço no Brasil

Vale e siderúrgicas recuam com queda do minério de ferro e pressão sobre o aço no Brasil
Minério derruba siderúrgicas

A fraqueza do minério de ferro no mercado chinês pressiona as ações de mineração e siderurgia no Brasil no fecho de quinta-feira. O movimento atinge Vale, CSN, Usiminas e Gerdau, enquanto dados de setembro mostram retração nas vendas de aços planos pelos distribuidores nacionais.

Destaques

  • Vale caiu 3,97% para R$ 61,49 na quinta-feira, acompanhando mineradoras globais, com contratos de minério de ferro em Dalian recuando 1,62% a 669 iuanes/tonelada.
  • No Brasil, CSN caiu 5,43%, Usiminas recuou 4,81%, Gerdau cedeu 3,92%, pressionadas por queda nas vendas de aços planos em setembro, retração de 7,2% segundo a Inda.
  • A produção chinesa de minério de ferro bruto recuou 23,9% em setembro para 63,11 milhões de toneladas, fortalecendo cautela dos investidores no setor de metais e aço.

Queda do minério amplia perdas do setor

Como reportou o InfoMoney Mercados, a Vale fechou a sessão de quinta-feira com recuo de 3,97%, a R$ 61,49, em linha com o viés negativo observado entre mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 1,62%, para 669 iuanes por tonelada, equivalentes a US$ 100,23.

No segmento brasileiro de mineração e siderurgia, o movimento foi mais amplo. CSN ON caiu 5,43%, Usiminas PNA recuou 4,81% e Gerdau PN cedeu 3,92%.

Os contratos futuros do minério de ferro perderam força depois de a compradora estatal chinesa China Mineral Resources Group, CMRG, fechar um novo acordo com a Rio Tinto. Segundo fontes com conhecimento do assunto, a CMRG comunicou verbalmente algumas siderúrgicas sobre o acerto na quarta-feira, sem divulgar mais detalhes.

Dados do aço reforçam pressão sobre as usinas

Números divulgados pela Inda mostram que, em setembro, os distribuidores de aços planos, responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas nacionais, registaram queda de 7,2% na comercialização em relação ao mesmo mês do ano anterior. O dado acrescenta pressão ao setor num momento de margens ainda frágeis.

Na China, as perdas das usinas entre os principais produtores de aço de Tangshan permaneceram praticamente inalteradas na semana. Dados da consultoria Mysteel indicam que o custo médio do ferro-gusa fundido continua a cair em relação ao preço de fábrica do tarugo quadrado comum, fixado em 2.940 iuanes por tonelada.

Ao mesmo tempo, a produção chinesa de minério de ferro bruto caiu 23,9% em setembro, face ao mesmo período do ano anterior, para 63,11 milhões de toneladas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. O conjunto desses indicadores sustenta a cautela dos investidores com o setor de metais e aço.

Na nossa matéria anterior sobre a queda do minério de ferro em Dalian, explicámos que os preços recuaram com o avanço das manutenções de altos-fornos na China, reduzindo a demanda das usinas e mantendo as compras limitadas ao curto prazo. Também destacámos o lado da oferta, com aumento de estoques em portos da Austrália e do Brasil e queda nas taxas de frete, reforçando a percepção de mercado mais abastecido e pressionando as cotações.

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