Minério de ferro sobe com queda de estoques na China, mas acumula perda semanal
A redução dos estoques de minério de ferro nos portos chineses dá suporte aos preços nesta sexta-feira, em meio a um mercado ainda pressionado pela fraqueza da demanda global. Apesar da alta diária, o contrato mais negociado em Dalian caminha para a sétima perda semanal consecutiva, refletindo a cautela sobre o consumo de aço na China.
Destaques
- O contrato de janeiro do minério de ferro em Dalian sobe 0,6%, a 675 iuanes por tonelada, com estoques nos portos chineses recuando 0,54%, para 152,23 milhões de toneladas.
- A redução das exportações da Austrália e do Brasil, somada à demanda estável das siderúrgicas, sustenta preços, mas interrupções de oferta são vistas como temporárias pela ANZ Research.
- O consumo semanal de aço na China cai para 8,24 milhões de toneladas e a demanda por vergalhões atinge 2,01 milhões de toneladas, menor nível em quase quatro anos.
Estoques menores sustentam alta do minério
Segundo InfoMoney, citando Reuters, os contratos futuros de minério de ferro avançam nesta sexta-feira após a queda dos estoques nos principais portos da China, ainda que o mercado continue limitado por sinais fracos de consumo. O contrato de janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian sobe 0,6%, para 675 iuanes por tonelada, enquanto a referência de novembro na Bolsa de Cingapura avança 0,91%, para US$90,7 por tonelada.Segundo dados da Steelhome, os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses recuam 0,54% na comparação semanal, para 152,23 milhões de toneladas. Analistas da ANZ Research afirmam em nota que a redução das exportações da Austrália e do Brasil, combinada com demanda estável das siderúrgicas, contribui para esse movimento, embora as interrupções de oferta ligadas ao clima pareçam temporárias.
A ANZ acrescenta que a produção no Brasil e na África tende a melhorar, elevando a oferta internacional. Para a Shanghai Metals Market, a queda dos estoques de finos nos portos oferece algum suporte aos preços, mas o mercado externo ainda não mostra sinais de aperto relevante na oferta.
Demanda fraca mantém pressão sobre o mercado
A pressão principal continua a vir do lado da demanda, especialmente do setor imobiliário chinês, cuja fraqueza persistente pesa sobre o consumo final de aço. A ANZ diz que a produção de aço continua a cair, mesmo com uma melhora marginal nas margens de lucro das usinas.Analistas da Shanghai Metals Market afirmam que as siderúrgicas seguem a operar com prejuízo e mantêm compras apenas quando necessário, ao mesmo tempo que pressionam por preços mais baixos. Esse comportamento ajuda a explicar por que a recuperação diária do minério não se converte em uma melhora mais ampla da tendência semanal.
Dados da Mysteel mostram que o consumo semanal de aço cai para 8,24 milhões de toneladas, com recuo tanto nos materiais de construção quanto nas chapas de aço. A demanda aparente por vergalhões cai para 2,01 milhões de toneladas, o menor nível em quase quatro anos, reforçando a leitura de enfraquecimento do setor siderúrgico chinês.
Na nossa matéria anterior sobre a queda do minério de ferro em Dalian, destacámos que o avanço das manutenções de altos-fornos na China reduzia a demanda pela matéria-prima. Também apontámos que o aumento dos estoques nos portos da Austrália e do Brasil, junto com a queda dos fretes, reforçava a percepção de oferta mais confortável e mantinha pressão sobre os preços.
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