G7 avança com libertação de reservas estratégicas para estabilizar mercado petrolífero

G7 avança com libertação de reservas estratégicas para estabilizar mercado petrolífero
G7 age no petróleo

Num contexto de escassez energética provocada pela disrupção no estreito de Ormuz, os países do G7 começam hoje a colocar no mercado 100 milhões de barris de petróleo e gasóleo ao longo de quatro meses. A iniciativa soma-se a volumes adicionais prometidos por vários países europeus, incluindo Portugal, com o objetivo de aumentar a fluidez da oferta e travar a pressão sobre os preços dos combustíveis.

Destaques

  • Os 32 membros da Agência Internacional de Energia decidiram libertar 400 milhões de barris das reservas estratégicas para responder à escassez causada pelos conflitos no Médio Oriente.
  • Onze países da União Europeia, incluindo Alemanha, França e Itália, anunciaram a libertação de 42,6 milhões de barris adicionais, metade dos quais de gasóleo, para aliviar o mercado.
  • A França planeia colocar 10 milhões de barris em três meses, esperando que os preços nos postos baixem entre 12 e 18 cêntimos por litro de combustível.

Libertação coordenada de reservas arranca

Como noticiou o Jornal de Negócios, a operação decorre com o aval da Agência Internacional de Energia, no âmbito da decisão tomada em março pelos 32 membros da organização de libertarem 400 milhões de barris das respetivas reservas estratégicas para responder à escassez no mercado.

A falta de oferta surge na sequência dos ataques dos U.S. e de Israel contra o Irão no final de fevereiro e do bloqueio do estreito de Ormuz por Teerão, uma rota por onde, antes do conflito, saía um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. No início de outubro, o G7, atualmente presidido pela França, anunciou que iria colocar 100 milhões de barris no mercado, sob pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, que advertiu estar a ponderar proibir as exportações de gasóleo dos U.S. caso a oferta não aumentasse.

Na quinta-feira, 11 países da União Europeia associaram-se à iniciativa e anunciaram a libertação de 42,6 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas, metade dos quais de gasóleo. Entre os países envolvidos estão Alemanha, França e Itália, a par de Grécia, Dinamarca, Bélgica, Luxemburgo, Portugal, Letónia, Suécia e Países Baixos.

Pressão sobre preços e impacto político

A França anuncia que vai colocar 10 milhões de barris no mercado ao longo de três meses e cria um mecanismo de controlo para garantir que a medida chega aos preços nos postos de abastecimento. O Governo francês espera uma redução entre 12 e 18 cêntimos por litro nos combustíveis.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, procura apresentar a decisão do G7 como parte das medidas para defender o poder de compra, numa altura em que o executivo enfrenta protestos sociais ligados, entre outros fatores, ao aumento do custo de vida e da energia. A TotalEnergies, alvo de críticas políticas pelos lucros associados à subida dos preços do petróleo e do gás, começa entretanto a aplicar reduções em 705 postos em França, fixando o gasóleo em 2,15 euros por litro nesses locais e mantendo um teto de 2,25 euros em toda a rede francesa.

Os membros da Agência Internacional de Energia ainda não colocam no mercado a totalidade dos 400 milhões de barris anunciados em março. As regras da organização obrigam cada país a manter reservas estratégicas equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas de petróleo, como proteção contra ruturas graves no abastecimento.

Na nossa publicação anterior sobre a evolução dos preços dos combustíveis em Portugal, analisámos as trajetórias divergentes do gasóleo e da gasolina, com oscilações semanais e diferenças relevantes entre postos e regiões. O texto também abordou as medidas de apoio público — incluindo um pacote extraordinário para setores mais expostos e o prolongamento do subsídio ao gasóleo profissional — para atenuar o impacto da subida dos custos energéticos em famílias e empresas.

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