Vale pode dobrar produção de cobre, mas licenciamento e execução seguem como entraves

Vale pode dobrar produção de cobre, mas licenciamento e execução seguem como entraves
Vale e o desafio do cobre

A estratégia da Vale para além do minério de ferro ganha peso com a expansão planejada da Vale Base Metals e a meta de elevar a produção de cobre para 700 mil toneladas por ano até 2035. O foco da discussão entre analistas passa a ser menos a disponibilidade de recursos e reservas e mais a capacidade de transformar projetos no Brasil e no Canadá em produção efetiva.

Destaques

  • Vale possui base mineral para atingir meta de 700 mil toneladas anuais de cobre até 2035, mas enfrenta desafios críticos de licenciamento e execução.
  • XP mantém recomendação neutra para VALE3, com preço-alvo de R$ 83 e potencial de valorização de 25%, devido aos gargalos em estudos ambientais e viabilidade.
  • Ouro gerado como subproduto nas operações de cobre da Vale, especialmente em Alemão e Salobo, reduz custo caixa líquido e reforça a atratividade dos projetos.

Meta de crescimento depende de avanços em projetos

Segundo InfoMoney, conforme relatório da XP publicado na segunda-feira, a Vale tem base mineral suficiente para sustentar a meta de produção de cobre, mas ainda precisa superar etapas críticas de desenvolvimento para entregar esse crescimento. A avaliação dos analistas ocorre após declarações do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, no FT Metals & Mining Summit, em Londres, e durante o VBM Day realizado em Toronto.

Para os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, reservas e recursos sustentam com folga a expectativa de produção anual de 700 mil toneladas até 2035, citada por Pimenta e pelo CEO da Vale Base Metals, Shaun Usmar. Ainda assim, a trajetória segue complexa, com necessidade de licenças, conversão de reservas e avanço simultâneo de vários projetos.

A XP avalia que o principal gargalo está menos no inventário mineral e mais na execução. Segundo o banco, a maior parte dos projetos ainda precisa avançar por estudos ambientais, trabalhos de viabilidade, obtenção de concessões minerárias e construção, o que mantém a recomendação neutra para VALE3, com preço-alvo de R$ 83 e potencial de valorização de 25%.

Ouro reforça valor do portfólio de cobre

Além do cobre, a XP aponta o ouro como uma fonte pouco destacada de valor no portfólio da mineradora. Como subproduto da produção de cobre, o metal contribui para a receita, reduz o custo caixa líquido e melhora a atratividade econômica dos projetos.

Esse efeito aparece com mais força nas operações de Alemão e Salobo, no Pará. Para a análise, campanhas contínuas de exploração e perfuração também podem ampliar a vida útil das minas da Vale Base Metals, sustentar o pico de produção por mais tempo e abrir espaço para crescimento adicional além do plano atual.

Na nossa cobertura anterior sobre a temporada de resultados do 3T26 na B3, reunimos o calendário de divulgações e destacámos as datas mais relevantes para o mercado, incluindo o balanço da Vale em 29 de outubro e o da Petrobras em 10 de novembro. Também apontámos que a forte concentração de publicações entre 4 e 12 de novembro tende a aumentar a volatilidade e a sensibilidade do Ibovespa a revisões de lucros, margens, geração de caixa e guidance em setores como commodities.

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