Madeira mantém subida dos encargos com pensões à medida que envelhecimento reforça peso social

Madeira mantém subida dos encargos com pensões à medida que envelhecimento reforça peso social
Envelhecimento pesa na Madeira

A população pensionista da Madeira atinge 67.400 pessoas em 2025, o equivalente a 25,3% dos residentes, num sinal de que o envelhecimento demográfico continua a ganhar peso na despesa social da região. O universo de beneficiários cresce 1,1% face a 2024 e concentra-se sobretudo nas pensões de velhice, que absorvem a maior fatia dos pagamentos da Segurança Social.

Destaques

  • O número de pensionistas na Madeira atingirá 67.400 em 2025, com despesa total de 481,2 milhões de euros, mais 5% no valor médio anual das pensões face a 2024.
  • A média anual das pensões na Madeira sobe para 7.135 euros, acima dos 6.733 euros a nível nacional, mas a pressão demográfica agrava-se, com 186,5 idosos por cada 100 jovens.
  • Ao mesmo tempo, subsídio de desemprego cai 6,5% para 6.000 beneficiários, mas despesas com subsídios de doença crescem 11,2%, atingindo 8,9 milhões de euros em 2025.

Pensões sobem em número e valor

Segundo The Portugal Post, conforme indicam dados da Direção Regional de Estatística da Madeira, a região contabiliza 67.400 pensionistas em 2025, com as pensões de velhice a representarem 63,8% do total, ou 43.013 beneficiários. As pensões de sobrevivência somam 17.659 pessoas, ou 26,2%, enquanto as de invalidez abrangem 6.807 beneficiários, correspondentes a 10,1%.

O valor médio anual das pensões atinge 7.135 euros, acima da média nacional de 6.733 euros. Entre as várias modalidades, as pensões de velhice apresentam o valor médio mais elevado, com 8.510 euros, seguidas pelas de invalidez, com 6.833 euros, enquanto as de sobrevivência ficam nos 3.898 euros.

O montante total pago pela Segurança Social em 2025 chega a 481,2 milhões de euros. Desse total, 366,1 milhões de euros destinam-se às pensões de velhice, 68,8 milhões às pensões de sobrevivência e 46,3 milhões às de invalidez.

Face a 2024, o valor médio das pensões cresce 5% no conjunto. As pensões de invalidez avançam 5,2%, as de velhice 4,9% e as de sobrevivência 4,5%; já a despesa total aumenta ainda mais depressa, impulsionada pela combinação entre mais beneficiários e prestações individuais mais elevadas.

Pressão demográfica e sinais mistos na proteção social

A estrutura demográfica da Madeira continua a agravar a pressão sobre o sistema, com 186,5 residentes com 65 ou mais anos por cada 100 jovens com menos de 25. Mais de 20% da população já tem acima de 65 anos, num contexto em que a saída de trabalhadores mais jovens para o continente tende a reduzir a base contributiva.

Ao mesmo tempo, outros indicadores sociais mostram trajetórias divergentes. O subsídio de desemprego desce para 6.000 beneficiários em 2025, menos 6,5% do que em 2024, enquanto os subsídios de doença sobem 9,4%, para 21.800 pessoas, com a despesa a aumentar 11,2%, para 8,9 milhões de euros, apesar de a duração média dos processos cair de 71 para 68 dias por pessoa.

O Rendimento Social de Inserção recua 21,3%, para 3.200 beneficiários, e o montante pago baixa 20,4%, para 4,9 milhões de euros. Já a Prestação Social para a Inclusão mantém-se relativamente estável, com 16,4 milhões de euros atribuídos a 3.741 pessoas, enquanto os apoios à infância e parentalidade registam ligeiras quedas.

Embora a média anual das pensões na Madeira supere a nacional, o custo de vida em Funchal continua elevado, pressionando os rendimentos disponíveis dos reformados. Sem novos mecanismos de financiamento ou ajustamentos contributivos até 2030, o modelo assente nos trabalhadores no ativo para financiar os pensionistas poderá enfrentar maior pressão à medida que a população em idade ativa encolhe.

Na nossa publicação anterior sobre a redução temporária das retenções na fonte do IRS em novembro, explicámos que a medida corta em 50% a retenção sobre salários e pensões, incluindo o subsídio de Natal, antecipando o alívio fiscal para famílias e reformados. Também sublinhámos que o efeito é concentrado nesse mês, já que em dezembro regressam as tabelas normais, ficando o impacto limitado no curto prazo.

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