Pavlo Kot

Solana vs. Base: quem dominará o mercado de lançamentos de tokens?

Solana vs. Base: quem dominará o mercado de lançamentos de tokens?
Solana vs. Base: corrida para dominar os lançamentos de tokens

​Há apenas alguns anos, Ethereum era a blockchain dominante para o lançamento de novos tokens. A liderança então passou para a BNB Chain, enquanto o mercado agora avança cada vez mais em direção a Solana e Base. Por que as redes líderes em lançamentos de tokens continuam mudando?

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

Dados recentes da CryptoRank mostram que a Solana e a Base agora superam significativamente outras redes em número de tokens que fazem sua estreia em exchanges descentralizadas (DEXs). No entanto, esses números não representam a quantidade de grandes projetos ou de eventos bem-sucedidos de geração de tokens (TGEs). Os dados incluem um enorme fluxo de memecoins e ativos experimentais.

Essa métrica reflete principalmente o volume de lançamentos de tokens, e não a qualidade de um ecossistema. Uma rede pode atrair dezenas de milhares de novos tokens todos os dias sem necessariamente captar volumes comparáveis de capital ou gerar um número equivalente de projetos sustentáveis.

De Ethereum a Solana

Nos primeiros anos, quase todo o mercado de novos tokens estava concentrado no Ethereum. O padrão ERC-20 tornou-se efetivamente o modelo padrão para a emissão de ativos, enquanto as maiores DEXs, carteiras e protocolos DeFi surgiram em torno da rede. A situação começou a mudar em 2021. Na época, a BNB Chain oferecia um ambiente compatível com os contratos inteligentes do Ethereum, mas com taxas mais baixas e acesso à ampla base de usuários da Binance. Como resultado, a PancakeSwap rapidamente se tornou uma das maiores DEXs, enquanto lançar um novo ativo ficou consideravelmente mais barato.

Estimativas históricas ilustram a dimensão dessa mudança. Até 2024, aproximadamente 3,7 milhões de tokens haviam sido lançados na BNB Chain, em comparação com cerca de 1,4 milhão na Solana e menos de 1 milhão no Ethereum. Esses números não podem ser comparados diretamente com os dados mais recentes da CryptoRank sobre tokens que aparecem em DEXs, mas mostram como o centro de gravidade da emissão de tokens se afastou gradualmente da blockchain de Vitalik Buterin.

A Solana deu o próximo grande salto. Segundo a Bitquery, aproximadamente 11,5 milhões de tokens negociados ao menos uma vez apareceram na rede entre novembro de 2025 e o início de outubro de 2026. Isso equivale a cerca de 32.000 lançamentos por dia. Cerca de 9 milhões desses tokens, ou 78%, foram criados por meio da launchpad Pump.fun. A escala da atividade deixou de ser impulsionada principalmente por grandes projetos individuais e passou a ser movida por um fluxo contínuo de pequenos ativos lançados em enormes quantidades. Na Base, o mercado se desenvolveu em uma direção um pouco diferente. Em 2025, integrações envolvendo Zora e Farcaster possibilitaram transformar publicações de usuários em tokens ERC-20 com seus próprios pools de negociação.

Em determinados dias, a Base chegou a superar a Solana. Em 27 de julho de 2025, mais de 54.000 novos tokens apareceram na Base, em comparação com aproximadamente 25.000 em sua concorrente.

Lançar um token em apenas alguns cliques

Dezenas de milhares de lançamentos diários tornaram-se possíveis depois que plataformas especializadas assumiram grande parte do trabalho técnico. Os usuários não precisam mais necessariamente criar contratos inteligentes por conta própria, configurar a negociação inicial ou lidar com outros detalhes que antes exigiam ao menos habilidades básicas de desenvolvimento.

A Pump.fun tornou-se o principal exemplo na Solana. Lançar um token exige pouco mais do que escolher um nome, ticker e imagem, após o que o serviço cuida do restante do processo de lançamento. Isso permite que um único usuário crie não apenas um projeto, mas toda uma série de ativos.

Na Base, Zora, Bankr e Doppler desempenham funções semelhantes. Nesse ecossistema, a tokenização tornou-se gradualmente integrada aos aplicativos sociais: em vez de um projeto de criptomoeda independente, uma publicação em rede social ou outro conteúdo gerado por usuários pode se tornar um token.

A Doppler também expandiu da Base para a Solana. Isso significa que o mesmo serviço de lançamento pode operar em vários ecossistemas, tornando a escolha da blockchain menos restritiva para os emissores de tokens.

Em termos de criação de novos ativos, esse modelo dá à Solana e à Base uma vantagem significativa. No entanto, o cenário muda quando se analisa o capital captado, e não o número de lançamentos.

Segundo a CryptoRank, o Ethereum liderou todos os ecossistemas em recursos captados por meio de vendas públicas de tokens em 2026. Em agosto, o valor era de aproximadamente US$ 334 milhões, contra US$ 288 milhões da BNB Chain, US$ 269 milhões da Base e US$ 241 milhões da Solana.

É claro que esses conjuntos de dados não podem ser comparados diretamente. Um mede o fluxo de novos tokens que aparecem em DEXs, enquanto o outro acompanha o capital captado por meio de ofertas públicas. Ainda assim, a diferença ilustra por que a liderança em lançamentos de tokens não necessariamente se traduz em liderança na captação de recursos.

Milhões de lançamentos, apenas minutos de atividade

O contraste se torna ainda mais evidente quando os tokens começam a ser negociados. A Bitquery analisou aproximadamente 11,5 milhões de ativos negociados na Solana entre novembro de 2025 e o início de outubro de 2026. Entre os tokens lançados via Pump.fun, mais de 79% deixaram de ser negociados após o primeiro dia.

Para metade desses tokens, a negociação final ocorreu aproximadamente três minutos após a primeira. Na quinta semana, apenas 1,5% dos lançamentos ainda registravam pelo menos uma transação, enquanto somente 0,2% registravam dez ou mais negociações.

Métricas-chave para novos tokens na Solana. Fonte: Bitquery.

Lançamentos baratos de tokens aumentaram drasticamente a oferta de ativos, mas não conseguiram gerar uma demanda comparável. Uma vez que um token é emitido, o principal desafio deixa de ser a tecnologia em si e passa a ser a capacidade de atrair liquidez e manter a atenção dos traders. O mercado mais amplo mostra uma lacuna semelhante entre o número crescente de tokens e o desempenho de lançamentos individuais.

Segundo analistas, o número de ativos acompanhados por agregadores aumentou de aproximadamente 5,8 milhões para 29,2 milhões em um ano. Ainda assim, apenas cerca de 15% das altcoins lançadas em 2025 são atualmente negociadas acima de seus preços de TGE.

Enquanto isso, as exchanges centralizadas estão seguindo na direção oposta. A CryptoRank examinou mais de 10.000 listagens nas principais CEXs e constatou que o número de memecoins recém-listadas caiu de 196 no quarto trimestre de 2024 para 41 no segundo trimestre de 2026, uma queda de aproximadamente 79%.

Ao mesmo tempo, os ativos tokenizados representaram quase uma em cada cinco novas listagens durante o primeiro semestre de 2026. Como resultado, a composição das novas listagens nas principais exchanges difere consideravelmente dos ativos que aparecem diariamente em DEXs.

A BNB Chain continua sendo uma rede importante para lançamentos massivos de tokens, enquanto a Four.meme segue competindo pela audiência de memecoins. No entanto, a rede não mantém mais sua antiga posição como principal alternativa de baixo custo para emissão de tokens. O mercado passou a se distribuir entre vários ecossistemas e plataformas.

A questão de onde a maior parte dos tokens é criada hoje, portanto, tem uma resposta bastante clara: a Solana lidera o fluxo de novos ativos que aparecem em DEXs, enquanto a Base surgiu como uma de suas principais concorrentes. Mas essa corrida revela cada vez menos sobre a força financeira das próprias redes.

Lançar um token agora leva apenas alguns minutos. Atrair liquidez, construir uma audiência e manter a atividade de negociação mesmo algumas semanas depois é muito mais difícil. É nesse ponto que milhões de lançamentos se reduzem a um número relativamente pequeno de ativos sustentáveis.

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