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Mas guardámos tudo 🙂.
As corretoras de criptomoedas são frequentemente criticadas por falhas de segurança, enquanto os bancos tradicionais costumam ser considerados lugares mais seguros para guardar dinheiro. No entanto, hackers atacam os dois setores, muitas vezes explorando vulnerabilidades semelhantes. Os bancos realmente oferecem mais proteção ou os riscos apenas são diferentes?
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Um grande roubo de criptomoedas colocou um dos grupos bancários da França sob escrutínio e levantou novas questões sobre a segurança das instituições financeiras tradicionais. O Crédit Mutuel Arkéa confirmou ter sido alvo de um ataque que possibilitou transações fraudulentas, embora não tenha divulgado o impacto financeiro. Em 4 de novembro, o investigador de blockchain ZachXBT identificou o banco como a provável vítima, após rastrear saques suspeitos de várias grandes corretoras de criptomoedas.
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Inicialmente, ZachXBT sinalizou mais de US$ 106 milhões em saques suspeitos de uma instituição financeira europeia não identificada. Depois, foram identificados outros US$ 27 milhões, elevando as perdas estimadas para mais de US$ 133 milhões. O investigador alertou que transações adicionais realizadas fora das corretoras poderiam aumentar esse valor.
A empresa de análise de blockchain Bitquery rastreou separadamente cerca de US$ 108,8 milhões em USDC sacados de contas na Kraken, Crypto.com e OKX ao longo de aproximadamente 21 horas. Parte dos fundos foi convertida em Ether e transferida por várias carteiras. A Kraken e a Crypto.com informaram que restringiram contas ou bloquearam fundos ligados ao suposto roubo.
O Crédit Mutuel Arkéa afirmou ter suspendido temporariamente algumas transações, notificado as autoridades e controlado a situação. O banco também garantiu que os clientes não sofreriam consequências financeiras. Ainda não está claro como os invasores conseguiram acessar os fundos.
Os bancos movimentam grandes volumes de pagamentos e mantêm informações confidenciais dos clientes, o que os torna alvos atraentes para cibercriminosos. Mas os riscos vão além do dinheiro que guardam. O sistema bancário moderno depende de sistemas interconectados, fornecedores de tecnologia externos e funcionários com acesso a operações críticas. Basta que os invasores encontrem uma vulnerabilidade para potencialmente interromper serviços, roubar dados ou iniciar transferências não autorizadas.
Dados recentes indicam que os bancos continuam expostos, embora suas defesas possam estar melhorando. Um relatório de junho de 2026 da Autoridade Bancária Europeia constatou que 44% dos bancos pesquisados sofreram ataques cibernéticos que causaram ou ameaçaram causar grandes interrupções de TI no primeiro semestre do ano. O índice caiu em relação aos 58% registrados no início de 2025, o que sugere alguma melhora na segurança, embora as ameaças graves continuem disseminadas.
Um problema especialmente difícil é que os bancos não conseguem controlar todos os sistemas dos quais dependem. Uma falha de segurança em um fornecedor externo pode afetar várias instituições ao mesmo tempo. A empresa de cibersegurança Black Kite registrou 202 incidentes de ransomware contra instituições financeiras em 2025, alta de 30% em relação ao ano anterior. Na Coreia do Sul, um ataque a um fornecedor de tecnologia afetou 32 instituições financeiras e expôs mais de dois terabytes de dados.
Enquanto isso, a inteligência artificial oferece novas ferramentas aos invasores para explorar essas vulnerabilidades. Criminosos podem usar IA para criar mensagens de phishing convincentes, se passar por funcionários ou automatizar etapas de um ataque. O fundador da Binance, Changpeng Zhao, sugeriu recentemente que os bancos poderiam estar mais vulneráveis que as corretoras de criptomoedas à medida que as ameaças cibernéticas evoluem. No entanto, é difícil verificar essa avaliação, pois os dados comparáveis não permitem determinar qual setor é mais vulnerável.
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As empresas de criptomoedas enfrentam ameaças semelhantes, incluindo roubo de credenciais, comprometimento de dispositivos e acesso não autorizado a sistemas internos. A diferença está no que pode acontecer depois que os invasores assumem o controle dos ativos. Em geral, as transferências confirmadas em uma blockchain são irreversíveis, e os fundos roubados podem passar rapidamente de uma carteira para outra.
A dimensão das possíveis perdas ficou clara em 29 de outubro, quando a Binance informou uma violação de segurança envolvendo cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. As conclusões preliminares apontaram para o comprometimento de dispositivos de funcionários, sistemas internos e permissões para transações com carteiras, embora a investigação ainda estivesse em andamento. A Binance afirmou que cobriria as perdas dos clientes e trabalhou com outras plataformas e emissores de stablecoins para congelar os fundos afetados.
Os bancos muitas vezes conseguem atrasar transferências suspeitas ou tentar cancelá-las por meio de redes estabelecidas. As corretoras de criptomoedas também podem bloquear saques antes que os ativos saiam de suas plataformas, mas recuperar os fundos depois disso é mais difícil. Ao mesmo tempo, as blockchains públicas permitem que investigadores rastreiem transferências entre carteiras, mesmo quando não se sabe quem as controla.
Essa transparência ajudou pesquisadores a acompanhar transações suspeitas no caso do Crédit Mutuel Arkéa. Isso não garante a recuperação dos fundos: os invasores podem dividi-los entre várias carteiras, trocá-los por outros ativos ou usar serviços que ocultam seu rastro. Rastrear transações e identificar criminosos são desafios distintos.
Para os clientes, a questão crucial é o que acontece depois de um ataque. Em geral, os bancos tradicionais têm procedimentos para investigar pagamentos não autorizados e reembolsar clientes elegíveis. As regras europeias de pagamentos oferecem proteção em determinados casos, enquanto o seguro de depósitos cobre a insolvência bancária, não todo tipo de perda decorrente de ataques cibernéticos.
As corretoras de criptomoedas adotam medidas de segurança como limites de saque, monitoramento de transações, múltiplas aprovações e armazenamento offline. Algumas mantêm fundos para indenizar usuários após incidentes de segurança. Mas as proteções variam conforme a plataforma e a jurisdição, e os criptoativos geralmente não contam com as mesmas garantias que os depósitos bancários segurados.
Nenhum dos setores está imune ao cibercrime, e os dados disponíveis não demonstram que os bancos sejam universalmente mais seguros que as empresas de criptomoedas. Para os clientes, o verdadeiro teste de segurança não é saber se uma instituição consegue impedir todos os ataques, mas se o dinheiro deles continua protegido quando um ataque é bem-sucedido.