Conflito no Médio Oriente agrava pressão sobre juros da habitação e agenda dos mercados
Os mercados acompanham esta quarta-feira uma agenda dominada pela guerra no Irão, pelos seus efeitos nos custos da energia e pelas implicações para a política monetária e o crédito à habitação. O impacto sobre os juros da casa já supera o observado durante a guerra na Ucrânia, enquanto investidores aguardam sinais do BCE, da inflação no Reino Unido e dos resultados trimestrais de grandes empresas.
Destaques
- Investidores avaliam o prolongamento do cessar-fogo entre U.S. e Irão e mantém-se atentos ao bloqueio norte-americano à navegação iraniana.
- As declarações de Christine Lagarde no painel da London School of Economics geram expectativa sobre possíveis respostas do BCE à guerra no Irão antes da reunião de política monetária.
- O Reino Unido divulga inflação de março, com previsão de aceleração para 3,3% devido à energia, enquanto Tesla, Boeing, Philip Morris e IBM publicam resultados trimestrais.
Mercados avaliam guerra, cessar-fogo e política monetária
Como adianta o Jornal de Negócios, os investidores reagem ao prolongamento do cessar-fogo entre os U.S. e o Irão, anunciado por Donald Trump depois de a mais recente ronda de negociações ter sido suspensa. O cessar-fogo terminava na noite desta quarta-feira, mas o presidente norte-americano afirma na Truth Social que espera uma proposta "unificada" de Teerão, ao mesmo tempo que mantém o bloqueio à navegação de e para o Irão, o mais recente ponto de discórdia.O foco do mercado estende-se também à intervenção de Christine Lagarde num painel sobre desafios globais na London School of Economics. As declarações da presidente do BCE são acompanhadas de perto num momento em que os investidores tentam perceber de que forma a instituição reage à guerra no Irão, antes de entrar em período de silêncio na véspera da reunião de política monetária no fim do mês.
No Reino Unido, o departamento de estatística publica os dados da inflação de março. Depois de a subida dos preços ter estabilizado em 3% no mês anterior, o mercado espera uma aceleração para 3,3%, impulsionada pelo aumento dos preços da energia, sendo ainda divulgados os índices de preços no produtor e no retalho do mesmo mês.
Resultados, poupança e custos energéticos marcam o dia
Tesla concentra atenções na época de resultados nos U.S., com a apresentação das contas do primeiro trimestre. Analistas antecipam que os números possam indicar uma inversão face às recentes desvalorizações em bolsa, num período em que a empresa de Elon Musk está no centro da atenção dos mercados.No mesmo dia, também Boeing, Philip Morris e IBM divulgam resultados nos U.S., enquanto na Europa chegam as contas de L'Oréal e Essilor. Em paralelo, a Comissão Europeia apresenta um pacote alargado de medidas para apoiar famílias e empresas perante o aumento dos custos da energia.
Em Portugal, o Banco de Portugal divulga os stocks de certificados de aforro de março. Em fevereiro, o montante subiu para 40.875 milhões de euros, no 18.º mês consecutivo de reforço da poupança das famílias nestes produtos do Estado, enquanto a média da Euribor a três meses em março subiu para 2,109%, elevando a remuneração base em abril para 2,138%.
Na nossa matéria anterior sobre a queda dos preços do petróleo, explicámos que o Brent recuou após sinais de que o Irão enviaria uma delegação para negociações de cessar-fogo com os EUA em Islamabad, antes do fim da trégua. Também salientámos que a volatilidade continuava elevada, com os riscos no Estreito de Ormuz e a possibilidade de Washington não prolongar o cessar-fogo a manterem pressão sobre o mercado de energia e os ativos sensíveis ao risco.
- Forex
- Crypto