Portugal reforça escrutínio sobre preços dos combustíveis e aponta energia como vantagem industrial
Num contexto de maior atenção à evolução dos combustíveis, o Governo mantém a expectativa de descida dos preços da gasolina e do gasóleo em Portugal. A tutela da Energia quer agora aprofundar a forma como os preços são formados, para avaliar porque é que as quedas nos mercados internacionais demoram mais a chegar aos consumidores.
Destaques
- Ministra Maria da Graça Carvalho anuncia pedido à ERSE para estudo aprofundado sobre a formação dos preços dos combustíveis, focando a lentidão nas descidas.
- O Governo intensifica o escrutínio após a subida dos preços, nomeadamente após os ataques dos U.S. e Israel ao Irão em 28 de fevereiro e temores no estreito de Ormuz.
- A ENSE aponta transporte, inflação acumulada e escassez de armazenagem como fatores para descida lenta dos preços dos combustíveis em Portugal, monitorizando semanalmente os valores.
Governo pede análise à formação dos preços
Como noticiou o Jornal de Negócios, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma esta terça-feira, em Évora, que espera uma continuação da descida dos combustíveis, se o enquadramento internacional evoluir favoravelmente. A governante insiste, no entanto, que o executivo quer perceber de que forma essa trajetória se reflete no preço pago pelos consumidores à gasolina e ao gasóleo.A ministra recorda que o Governo já pediu a entidades públicas ligadas ao setor a clarificação e transparência necessárias sobre a formação dos preços. Segundo explica, a preocupação resulta do facto de as subidas nos mercados internacionais terem reflexo rápido nos postos de abastecimento, enquanto as descidas demoram mais a chegar ao bolso dos consumidores.
Maria da Graça Carvalho acrescenta que a Entidade Nacional para o Setor Energético, ENSE, já sinaliza fatores adicionais, como transporte, inflação acumulada desde o início da crise e aumento dos custos das matérias-primas. A governante anuncia também que vai pedir à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, ERSE, um estudo aprofundado sobre a formação de preços, sobretudo na componente da descida, para apurar o que está a acontecer.
Pressão sobre o setor e impacto na competitividade
Na semana passada, no parlamento, a ministra já tinha indicado que o executivo pediu à ENSE para acompanhar a evolução dos preços dos combustíveis, por entender que estes não descem ao mesmo ritmo a que subiram. Nessa ocasião, defende que a falta de alinhamento entre a queda da cotação do petróleo e os preços finais não tem justificação aparente e exige uma explicação mais exata.Numa resposta à Lusa referida no texto, a ENSE aponta os custos fixos da refinação e a escassez de armazenagem na Europa como fatores que ajudam a explicar uma redução mais lenta dos preços face à descida da matéria-prima. A entidade não esclarece, porém, se existe já uma análise específica em curso, limitando-se a indicar que acompanha semanalmente os preços de venda ao público e os preços de referência dos combustíveis.
O tema ganha peso para a economia portuguesa porque os custos energéticos influenciam diretamente famílias, transportes e atividade industrial. A atenção sobre os combustíveis intensifica-se depois da subida registada na sequência dos ataques dos U.S. e de Israel ao Irão, em 28 de fevereiro, e dos receios de perturbações no abastecimento internacional de petróleo ligados ao estreito de Ormuz.
Na nossa publicação, analisámos o desfasamento entre a queda do crude Brent e a descida mais lenta dos preços da gasolina e do gasóleo em Portugal. O texto explicava que fatores como custos fixos de refinação, limitações de armazenagem na Europa e riscos na cadeia de abastecimento podem atrasar a transmissão das descidas ao consumidor. Esse enquadramento ajuda a perceber por que motivo o Governo está agora a pedir análises adicionais sobre a formação dos preços no retalho.
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