Portugal testa procura por dívida a 10 e 16 anos em dia de sinais para os mercados globais

Portugal testa procura por dívida a 10 e 16 anos em dia de sinais para os mercados globais
Portugal avalia dívida soberana

Os mercados acompanham esta quarta-feira uma combinação de decisões de financiamento soberano, sinais de política monetária e renovadas tensões geopolíticas. Em Portugal, o IGCP avança com uma emissão dupla de obrigações do Tesouro, enquanto nos Estados Unidos a Fed divulga atas e o conflito com o Irão volta a pressionar o petróleo.

Destaques

  • Portugal testa a procura por dívida com emissão dupla de obrigações do Tesouro de 1.250 a 1.500 milhões de euros, maturidades em 2036 e 2042.
  • Preços do petróleo sobem mais de 5% após ataques dos EUA no estreito de Ormuz e aumento das tensões com o Irão.
  • FMI atualiza previsões globais, apontando crescimento de 3,1% em 2024, menos 0,2 pontos percentuais face a janeiro devido ao conflito.

Emissão portuguesa e agenda monetária do dia

Como noticiou o Jornal de Negócios, Portugal vai ao mercado para se financiar através de nova dívida com uma operação dupla de emissão de obrigações do Tesouro, com maturidades em 13 de junho de 2036 e 11 de abril de 2042.

A operação, conduzida pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, IGCP, está marcada para as 10:30 desta quarta-feira e aponta para um montante indicativo global entre 1.250 milhões e 1.500 milhões de euros. O teste à procura por dívida portuguesa surge num dia em que os investidores também observam a primeira emissão de treasuries a 10 anos nos Estados Unidos desde que Kevin Warsh sucedeu a Jerome Powell na presidência da Reserva Federal.

A atenção do mercado centra-se ainda na divulgação das atas do último encontro de política monetária da Fed, o primeiro sob liderança de Warsh. A autoridade monetária manteve a taxa dos fundos federais entre 3,5% e 3,75%, mas as declarações do novo presidente foram interpretadas pelo mercado como hawkish, reforçando expectativas de subida dos juros na maior economia mundial.

Tensão no Médio Oriente e impacto económico

O aumento da tensão entre os U.S. e o Irão volta a agitar os mercados, depois de uma série de ataques norte-americanos na noite de terça-feira, em resposta a três navios terem sido visados no estreito de Ormuz. A reação mais imediata surge no petróleo, com os preços a escalarem mais de 5%, enquanto os investidores tentam avaliar se o cessar-fogo resiste ou se o processo negocial para um acordo de paz duradouro fica comprometido.

Neste contexto, o Fundo Monetário Internacional atualiza também esta quarta-feira as suas projeções para a economia mundial. No World Economic Outlook de 14 de abril, o FMI estimava um crescimento global de 3,1% este ano, menos 0,2 pontos percentuais face à previsão de janeiro devido ao conflito, e de 3,2% em 2027.

Na nossa matéria anterior sobre a alta do petróleo com foco no Estreito de Ormuz, destacámos que os preços subiram à medida que os traders avaliavam o risco de novas interrupções na navegação e o progresso (ou recuo) nas negociações entre EUA e Irã. Também apontámos que, apesar do prêmio geopolítico, sinais de oferta mais abundante — incluindo aumentos de produção da OPEP+ e ajustes de preços da Arábia Saudita — ajudavam a limitar o rali.

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