Assaí amplia aposta em combustíveis com compra de 18 postos para reforçar crescimento
Em meio a um cenário mais desafiador para o varejo alimentar, o Assaí anuncia a aquisição de 18 postos de combustíveis por até R$ 80 milhões como uma nova frente complementar de expansão. A companhia vê potencial para construir gradualmente uma rede com mais de 100 unidades no longo prazo, enquanto o mercado avalia ganhos de tráfego e o aumento da complexidade operacional.
Destaques
- Assaí adquiriu 18 postos de combustíveis já instalados em suas unidades para ampliar o uso de ativos e sustentar o crescimento da rede.
- A XP estima que a operação pode adicionar até R$ 32 milhões de EBITDA anual incremental, com impacto limitado na alavancagem financeira.
- Itaú BBA vê potencial de até R$ 110 milhões de EBITDA/ano em cenário otimista com expansão para 100 postos, porém setor tem margens menores e efeito limitado nos lucros.
Aquisição abre nova frente de expansão
Conforme noticiado pelo InfoMoney Mercados, a compra dos 18 postos é vista por analistas como um movimento estrategicamente defensivo para ampliar o uso dos ativos já existentes e sustentar o crescimento da rede. Por volta das 10h10, as ações do Assaí recuavam 1,18%, a R$ 10,09.Em relatório, a XP Investimentos avalia a operação de forma cautelosamente positiva. Para os analistas Pedro Caravina e Laryssa Sumer, a iniciativa pode elevar o fluxo de clientes nas lojas e ajudar a sustentar as vendas em mesmas lojas, em um ambiente de consumo mais fraco.
Segundo cálculos da XP, a operação poderia acrescentar até R$ 32 milhões de EBITDA anual incremental, com impacto limitado na alavancagem. A corretora também considera o preço da aquisição razoável em comparação com transações anteriores, sobretudo porque os postos já estão instalados em unidades do Assaí e podem capturar o tráfego de consumidores existente.
Impacto financeiro tende a ser limitado
Apesar do potencial estratégico, os bancos e corretoras destacam desafios de execução. A XP ressalta que a entrada em combustíveis adiciona exigências operacionais e regulatórias diferentes do negócio principal da companhia, além de expor o grupo a um segmento de margens menores e escala inicial ainda restrita.O Bradesco BBI interpreta a iniciativa como um sinal de esgotamento do crescimento do negócio principal e de busca por novas alavancas para otimizar os ativos. Os analistas Pedro Pinto, Gustavo Sendy e Lorenzo Marques afirmam que postos de combustíveis operados por varejistas alimentares costumam gerar margem EBITDA próxima de 5% e podem funcionar como impulsionadores de tráfego, mas tendem a ter papel complementar, com efeito limitado sobre lucros e avaliação.
Na visão do Itaú BBA, a aquisição dificilmente altera de forma relevante a tese de investimento do Assaí, embora reforce o esforço da administração para manter a trajetória de expansão nos próximos anos. Em um cenário considerado relativamente otimista, com uma rede de 100 postos, vendas mensais de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões por unidade e margem EBITDA de 4% a 5%, a operação poderia gerar entre R$ 66 milhões e R$ 110 milhões de EBITDA por ano.
O banco vê a estratégia como mais uma frente complementar de crescimento, em linha com a entrada recente da companhia no segmento de drogarias. Ao aproveitar a estrutura das lojas existentes e o fluxo de cerca de 20 milhões de veículos por mês, o Assaí pode ampliar a oferta de produtos e serviços, elevar sua participação nos gastos dos consumidores e diluir custos fixos.
Em nossa matéria anterior sobre a compra de 18 postos de combustíveis pelo Assaí, destacamos que a operação mira diversificar receitas além do atacarejo e monetizar o fluxo de clientes e veículos nas lojas de São Paulo. Também apontamos que, com base na infraestrutura já existente, a empresa vê potencial para construir gradualmente uma rede com mais de 100 postos no longo prazo, condicionada a estudos de viabilidade, licenças e aprovações internas.
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