Seguro automóvel no Brasil incorpora risco climático, mas El Niño não eleva preço de forma automática

Seguro automóvel no Brasil incorpora risco climático, mas El Niño não eleva preço de forma automática
Seguro auto e clima

A intensificação do El Niño reforça a atenção sobre os custos do seguro automóvel no Brasil, num momento em que chuvas fortes, granizo e alagamentos podem ampliar a exposição dos veículos a danos. Especialistas afirmam, porém, que uma previsão de temporada climática mais severa, por si só, não basta para provocar alta imediata nos prémios.

Destaques

  • Em 2024, seguradoras brasileiras pagaram R$ 7,3 mil milhões em indenizações climáticas, com o seguro automóvel representando 19% desse montante.
  • Eventos meteorológicos como El Niño já integram modelos de risco das seguradoras, mas não resultam em reajustes automáticos ou uniformes nos preços do seguro automóvel.
  • Alterações climáticas elevam exposição a sinistros e levam seguradoras como Porto Seguro e Justos a adaptar precificação, mas impacto nos preços ocorre gradualmente e varia regionalmente.

Modelos de risco já consideram perdas climáticas

Como explica o InfoMoney, seguradoras e especialistas do sector dizem que fenómenos meteorológicos já fazem parte do cálculo de risco, mas sem relação automática e uniforme com reajustes imediatos nos preços.

A Organização Meteorológica Mundial informou no início de setembro que o El Niño deve tornar-se muito forte, elevando o risco de eventos extremos, embora os efeitos variem por região e possam ser reforçados ou atenuados por outros fenómenos oceânicos e atmosféricos. No Brasil, um episódio mais intenso pode aumentar a probabilidade de chuva forte, tempestades, granizo e alagamentos, sobretudo no Centro-Sul, o que amplia a exposição dos veículos e o potencial de sinistros.

Carlos Pelais, coordenador da Comissão de Automóvel do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo, afirma que o impacto depende da região, da intensidade dos eventos e da concentração de veículos nas áreas atingidas. O prémio do seguro resulta de uma combinação de factores, como modelo e valor do carro, perfil de uso, local de circulação e pernoita, histórico de sinistros, roubo, furto e custo de reparação, com os eventos climáticos a ganhar peso quando certas áreas passam a registar perdas mais frequentes e severas.

Anália Brum, diretora de Seguros e Jurídico da Justos Seguradora, diz que as empresas combinam diferentes variáveis e usam diversificação geográfica da carteira e resseguro para diluir a exposição a perdas. Segundo ela, os dados históricos continuam centrais, mas as mudanças nos padrões climáticos exigem calibragem dos modelos, e a seguradora utiliza inteligência artificial para incorporar essas transformações na avaliação de risco.

Impacto tende a aparecer ao longo do tempo

Os custos climáticos já têm peso relevante para o sector. Em 2024, as seguradoras pagaram R$ 7,3 mil milhões em indemnizações ligadas a esses episódios, segundo o Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil, elaborado pela CNseg em parceria com a consultora EY, e o seguro automóvel respondeu por 19% desse total.

Na Porto Seguro, a modelagem reúne dados climáticos, características do solo, projeções meteorológicas e informações da própria carteira para definir preços, segundo Patricia Chacon, CEO da seguradora. A executiva afirma que a precificação atual já considera a possibilidade de eventos extremos todos os anos, enquanto a companhia mantém resseguro nas carteiras de seguros patrimonial, automóvel e de vida.

Na prática, isso significa que os motoristas podem sentir a influência das alterações climáticas no preço ao longo do tempo, sobretudo se a região onde circulam ou guardam o veículo passar a concentrar perdas mais frequentes ou mais caras. Ainda assim, isso não implica reajuste igual para todos os segurados de uma mesma área, nem faz do El Niño o único determinante no valor da renovação.

Na nossa matéria anterior sobre a captação da Mombak para reflorestamento na Amazônia, detalhamos o primeiro fechamento do The Amazon Reforestation Fund II e a nova linha de crédito do Fundo Clima (BNDES) para ampliar o financiamento a projetos de restauração. Também mostramos o contrato plurianual de compra antecipada de créditos de carbono com a Salesforce e a expectativa de aumento da demanda por créditos de alta qualidade por setores além de tecnologia, como indústria pesada.

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