Possível veto dos EUA ao diesel amplia risco de abastecimento e pressão de custos no Brasil
A dependência brasileira de combustíveis refinados importados coloca o mercado local em alerta diante da possibilidade de restrições dos U.S. às exportações de diesel. O risco ganha peso num momento em que o país entra na temporada de plantio de soja e mantém forte exposição ao diesel comprado no exterior.
Destaques
- O possível veto dos EUA às exportações de diesel por 90 dias ameaça 70% das importações brasileiras do produto e eleva risco de aumento nos preços domésticos.
- A defasagem de preços deve pressionar a inflação: subsídios e controle fiscal limitaram alta dos combustíveis no IPCA a 3%, mas a retirada pode elevar o índice em até 1,5 ponto percentual.
- As medidas para segurar preços têm custo fiscal de até 40 mil milhões de reais até setembro, 0,3% do PIB, enquanto restrições nos EUA podem impactar fortemente o setor agrícola brasileiro.
Risco para importações e preços internos
Segundo a InfoMoney, citando o Politico, os U.S. estão a finalizar um plano para proibir por 90 dias as exportações de diesel, apesar de divergências sobre a medida no sector petrolífero e dentro do próprio governo. Segundo o veículo, a Casa Branca procura avançar com um pacote para reduzir os custos de energia antes das eleições intercalares de novembro.Embora o Brasil seja exportador líquido de petróleo, a capacidade de refinação permanece limitada, o que mantém a dependência de importações de combustíveis refinados, sobretudo diesel. O JPMorgan estima que cerca de 25% do consumo brasileiro de diesel e aproximadamente 10% do consumo de gasolina sejam atualmente abastecidos por importações.
No caso do diesel, os U.S. ganham espaço após a redução das compras à Rússia e passam a responder por mais de 70% das importações brasileiras em agosto. Essa concentração eleva a exposição do país a uma eventual restrição americana e aumenta o risco de pressão adicional sobre preços domésticos.
Impacto potencial na inflação e no agronegócio
Apesar da alta global dos combustíveis, subsídios, cortes de impostos e a política de preços limitam a subida dos combustíveis no IPCA a 3% no ano, segundo as estimativas citadas no texto. O JPMorgan calcula, contudo, que o diesel doméstico esteja em cerca de metade da paridade internacional e que a gasolina internacional esteja até 60% acima dos preços domésticos no atacado.Se essa defasagem fosse eliminada e os subsídios retirados, o impacto direto sobre o IPCA poderia chegar a quase 1,5 ponto percentual, sobretudo pela gasolina. No diesel, o efeito total tende a ser maior devido aos impactos indirectos sobre a economia, enquanto as medidas adoptadas em setembro têm custo estimado de 7 mil milhões de reais por mês e o pacote acumulado desde março pode atingir 40 mil milhões de reais até ao fim de setembro, cerca de 0,3% do PIB.
Na leitura do Morgan Stanley, uma proibição total das exportações de diesel pelos U.S. parece improvável, porque elevaria de forma significativa os preços da gasolina no próprio país e os preços do diesel noutras regiões. Ainda assim, o banco considera possível uma restrição parcial ou temporária, enquanto o Bradesco BBI avalia que qualquer limitação seria negativa para o Brasil, principalmente pela elevada dependência do combustível importado em plena temporada de plantio de soja.
Em nossa matéria anterior sobre a oscilação do Ibovespa, analisamos como a retomada da alta do petróleo ajudou a sustentar as ações da Petrobras, enquanto o mercado reagia à piora do humor externo e à alta dos rendimentos dos Treasuries. Também mostramos que câmbio e Bolsa seguiam sensíveis às expectativas de política monetária, tanto nos EUA quanto no Brasil, com atenção a indicadores e comunicados oficiais.
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