B3 segue com recomendação de compra no Itaú BBA após alta recente das ações
A recente valorização das ações da B3 reduz parte da assimetria positiva vista meses atrás, mas ainda deixa espaço para nova alta em um cenário mais favorável para juros e mercado de capitais no Brasil. O Itaú BBA eleva o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23 e aponta que revisões positivas de lucro passam a ser o principal gatilho para valorização adicional.
Destaques
- Itaú BBA elevou o preço-alvo da B3 de R$ 21 para R$ 23 e manteve recomendação de compra, citando recuperação potencial dos volumes negociados.
- B3 é negociada a cerca de 12,8 vezes o preço sobre lucro recorrente estimado para 2027, com expectativas de volume médio diário em ações entre R$ 43 bilhões e R$ 65 bilhões.
- O desconto da B3 em relação às bolsas globais caiu de 40% para 20% desde agosto, e o valuation se aproxima da média recente, reduzindo atratividade relativa.
Preço-alvo sobe com foco em recuperação de volumes
Como reportou o InfoMoney Mercados, o Itaú BBA elevou o preço-alvo da B3 de R$ 21 para R$ 23 e manteve a recomendação de compra, mesmo após o rali recente das ações. O banco avalia que a tese continua apoiada na possibilidade de recuperação mais forte do mercado de capitais brasileiro, caso o ambiente macroeconômico e o ciclo de juros avancem de forma favorável.A instituição destaca que a B3 é negociada a cerca de 12,8 vezes o preço sobre lucro recorrente estimado para 2027, ou 14,4 vezes sem os efeitos extraordinários ligados a juros sobre capital próprio. Embora considere esse múltiplo um pouco elevado frente ao histórico quando comparado ao comportamento dos juros longos no Brasil, o banco vê espaço para expansão dos resultados.
Na avaliação do Itaú BBA, o mercado brasileiro de investimentos já atinge níveis recordes, enquanto a participação de ações nas carteiras dos investidores segue relativamente baixa. Esse quadro pode sustentar uma recuperação mais ampla dos volumes negociados. Em um cenário moderado, o banco estima volume médio diário negociado em ações de R$ 43 bilhões em 2027, e de R$ 65 bilhões em um cenário mais forte, acima da projeção-base de R$ 37 bilhões.
Se o cenário mais otimista se confirmar, o lucro líquido da B3 em 2027 pode ficar até 21% acima da estimativa atual de R$ 6,9 bilhões. O Itaú BBA também eleva em 2% as projeções de lucro por ação recorrente para 2026 e 2027, refletindo a evolução recente dos indicadores operacionais e maiores pagamentos de juros sobre capital próprio.
Valuation mais apertado aumenta dependência de lucro
A melhora da atividade já aparece nos números operacionais. O ADTV de ações sobe de R$ 22,6 bilhões em julho para R$ 30,3 bilhões em agosto e R$ 32,8 bilhões em setembro até o dia 18, enquanto a velocidade de giro das negociações avança de 113% para cerca de 156%.Ainda assim, o banco pondera que a recuperação ocorre sem mudança mais ampla na alocação dos investidores. Fundos de ações e multimercados com estratégias de proteção continuam registrando resgates, e as ações ainda representam cerca de 7% dos ativos dos investidores institucionais locais e 15% das carteiras de pessoas físicas. A alocação de ETFs globais no Brasil também permanece em aproximadamente metade do pico da última década.
Segundo o Itaú BBA, o valuation deixa de ser um argumento tão favorável quanto antes. Após a recente valorização, a B3 negocia perto de 13 vezes o preço sobre lucro, em linha com a média desde 2023, enquanto o desconto em relação às bolsas globais cai de cerca de 40% no início de agosto para 20%, abaixo da média de 27% observada desde 2019.
Para o terceiro trimestre, o banco espera lucro por ação ligeiramente inferior ao do segundo trimestre, em razão da recuperação gradual dos volumes após um julho sazonalmente mais fraco. Setembro, até agora, é o mês mais forte do trimestre, e o Itaú BBA não espera impactos relevantes de despesas administrativas, comerciais ou de preços que limitem a conversão do crescimento da atividade em lucro.
Em nossa publicação anterior sobre as empresas da B3 que conseguiram manter o ROE em alta desde 2022, mostramos que apenas um grupo restrito apresentou avanço contínuo do indicador até junho de 2026, com destaque para Metal Leve, Pine e Moura Dubeux. O levantamento também apontou que, em casos como o da própria B3, o ROE pode subir mesmo com queda do lucro líquido quando há redução da base patrimonial média, o que exige cautela na leitura desse tipo de métrica.
Últimas notícias BBVA
- Forex
- Crypto