UBS BB vê espaço para ações de saúde no Brasil avançarem mais com queda do risco

UBS BB vê espaço para ações de saúde no Brasil avançarem mais com queda do risco
Potencial em saúde na Bolsa

A valorização das ações de saúde após o primeiro turno das eleições é amplamente explicada pela queda dos juros, segundo análise do UBS BB sobre empresas cobertas pelo banco. O estudo indica que uma nova redução do prêmio de risco do Brasil ainda pode destravar ganhos adicionais de até 20% em alguns papéis do setor.

Destaques

  • Entre 18 de setembro e 9 de outubro, ações de saúde sob cobertura do UBS BB subiram de 17% a 33% impulsionadas pela queda de 175 pontos-base nos juros longos e 100 pontos-base nos juros curtos.
  • O UBS BB projeta valorização adicional de até 20% para BradSaúde e 17% para Rede D'Or caso o rendimento do título público de dez anos caia de 12,5% para 11,3%.
  • Bradesco Saúde negocia com cerca de 46% de desconto em relação ao valor implícito atualizado pela curva de juros, indicando forte potencial de valorização frente aos 29% de Rede D'Or e 10% de Hapvida.

Modelos de valuation sustentam rali do setor

Segundo InfoMoney, conforme análise do UBS BB, a alta recente das ações de saúde não reflete euforia dissociada dos fundamentos, mas sim o efeito direto da queda dos juros curtos e longos sobre o valor das companhias. Entre 18 de setembro e 9 de outubro, os juros de dez anos recuam cerca de 175 pontos-base e a ponta curta da curva cai aproximadamente 100 pontos-base, enquanto as ações sob cobertura do banco sobem entre 17% e 33%.

Na avaliação dos analistas, a valorização ocorre por dois canais principais. O primeiro é a redução do custo de capital com a queda dos juros longos, fator especialmente relevante para empresas de saúde por terem fluxos de caixa de prazo mais longo. O segundo é a melhora dos lucros futuros por meio de despesas financeiras menores, com efeito mais forte sobre companhias mais alavancadas, como Hapvida e Dasa.

Combinando esses fatores, o UBS BB estima que o movimento recente da curva de juros justifica valorização de cerca de 23% para Rede D’Or, 22% para BradSaúde, 25% para Hapvida, 24% para Fleury e 32% para Dasa. Segundo o banco, os números ficam muito próximos do desempenho efetivamente observado na Bolsa, o que reforça a leitura de que o rali é racional.

Queda adicional dos juros longos pode ampliar ganhos

O banco avalia que boa parte do efeito da queda dos juros curtos já está refletida nos preços. Com isso, o principal gatilho para uma nova rodada de alta passa a ser uma redução adicional da percepção de risco do Brasil, com impacto sobre os juros longos.

No cenário traçado pelo UBS BB, o rendimento do título público de dez anos, atualmente em torno de 12,5%, pode recuar mais se a percepção de risco continuar melhorando. Se essa taxa cair 75 pontos-base, para aproximadamente 11,8%, o potencial adicional projetado é de 11% para BradSaúde, 10% para Rede D’Or, 10% para Fleury, 7% para Hapvida e 7% para Dasa. Se o juro de dez anos recuar para 11,3%, o espaço de valorização sobe para 20% em BradSaúde, 17% em Rede D’Or, 17% em Fleury, 13% em Dasa e 12% em Hapvida.

Rede D’Or segue como nome central da cobertura do banco, apoiada pela recomendação de compra e pela maior liquidez entre os papéis analisados, com movimentação diária de cerca de U.S.$ 60 milhões. O UBS BB calcula que a ação ainda negocia aproximadamente 29% abaixo do valor implícito em seus modelos ajustados à curva de juros atual.

Já a maior assimetria apontada pelo banco está em Bradesco Saúde, descrita como a empresa mais sensível da cobertura à redução do custo de capital. O UBS BB estima que a queda de 175 pontos-base dos juros longos eleva seu valor justo em cerca de 24%, enquanto o desconto em relação ao valor implícito atualizado pela curva de juros chega a aproximadamente 46%, acima dos 29% de Rede D’Or e dos 10% de Hapvida. Dasa e Hapvida, por sua vez, mostram maior sensibilidade à melhora do resultado financeiro, já que uma queda de 100 pontos-base nos juros curtos aumenta o lucro projetado para 2027 em 14% e 8%, respectivamente.

Na nossa reportagem anterior sobre o rali pós-primeiro turno e a reprecificação da Bolsa brasileira, explicámos por que a combinação de juros em queda, menor percepção de risco fiscal e revisões positivas de lucro ainda poderia sustentar novas altas. Também destacámos como a redução dos prémios na curva de DI favoreceu ações mais ligadas ao ciclo doméstico, ao mesmo tempo em que apontámos sinais de sobrecompra e a chance de realização no curto prazo.

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