BEI duplica financiamento para adaptação climática na União Europeia até 2030
O Banco Europeu de Investimento vai disponibilizar pelo menos 30 mil milhões de euros entre 2026 e 2030 para projetos de adaptação às alterações climáticas. O plano procura acelerar investimentos em áreas como energia, água e agricultura, num contexto de riscos climáticos crescentes para empresas, cidades e regiões vulneráveis.
Destaques
- Banco Europeu de Investimento aprova plano que duplica financiamento para adaptação climática na União Europeia até 2030 face aos cinco anos anteriores.
- O programa prioriza apoio a PME, agricultores e regiões vulneráveis com foco em redes energéticas, sistemas de água e práticas agrícolas resilientes a eventos extremos.
- Foram autorizados 11,8 mil milhões de euros em novos financiamentos, incluindo 5,5 mil milhões para reforço da autonomia energética europeia e extensão a países parceiros vulneráveis.
Plano de investimento e áreas prioritárias
Como noticiou o Jornal de Negócios, o novo plano já foi aprovado pelos órgãos de administração do Banco Europeu de Investimento e do Fundo Europeu de Investimento, duplicando o financiamento concedido nos cinco anos anteriores. Em comunicado divulgado esta quinta-feira, a presidente do BEI, Nadia Calviño, afirma que a adaptação às alterações climáticas é "uma escolha óbvia" e acrescenta que cada euro investido em prevenção e adaptação permite poupar dez euros em danos e reparações.O financiamento será canalizado através de empréstimos, garantias e assistência técnica, com especial foco em pequenas e médias empresas, agricultores, cidades e regiões mais vulneráveis. Entre as prioridades do programa estão o reforço das redes de energia, a proteção de edifícios públicos, a modernização dos sistemas de abastecimento e gestão de água e o apoio a sistemas de rega mais eficientes, armazenamento e reutilização de água, além de práticas agrícolas mais resistentes a secas e inundações.
O plano inclui também soluções baseadas na natureza, como a recuperação de zonas húmidas, florestas e planícies aluviais. Para responder à escassez de projetos suficientemente preparados para receber investimento, o BEI quer apoiar promotores públicos e privados na avaliação de riscos, na preparação de candidaturas e na estruturação de operações viáveis.
Impacto esperado e alcance geográfico
A instituição prevê lançar ainda este ano a ClimateSET, uma ferramenta digital gratuita desenvolvida com o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus. O sistema deverá ajudar a identificar ameaças climáticas locais e a selecionar medidas de adaptação adequadas, com o objetivo de transformar riscos em projetos financiáveis.Embora o financiamento abranja a União Europeia, o anúncio não fixa quotas nacionais nem identifica verbas reservadas a Portugal. Empresas e entidades públicas portuguesas podem recorrer aos instrumentos previstos, mas continua sem ser possível determinar que parcela do investimento chegará ao país.
O programa estende-se também a países parceiros particularmente expostos aos riscos climáticos, incluindo pequenos Estados insulares e países menos desenvolvidos. A aprovação do plano coincide com a autorização de 11,8 mil milhões de euros para novos financiamentos do grupo BEI, dos quais 5,5 mil milhões se destinam ao reforço da autonomia energética europeia.
Na nossa publicação, já abordámos o EU Water Resilience Investment Accelerator by Green Assist, uma iniciativa da União Europeia para apoiar projetos-piloto inovadores em retenção, qualidade e eficiência hídrica. O texto explicou que o objetivo é ajudar a tornar estes projetos mais financiáveis, aproximando-os de investidores privados e reduzindo um défice anual de investimento na água estimado em 23 mil milhões de euros.
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