Ouro cai abaixo de US$ 4.000 com inflação e perdas nas bolsas abalando investidores

Ouro cai abaixo de US$ 4.000 com inflação e perdas nas bolsas abalando investidores
Ouro cai abaixo de US$ 4.000 em meio a preocupações com a inflação

​O ouro caiu abaixo de US$ 4.000 a onça na sexta-feira, pressionado pela inflação mais forte nos EUA e por uma onda global de vendas de ações de tecnologia. O metal caminhava para a segunda queda mensal consecutiva, enquanto o aumento dos custos de energia reforçava as expectativas de que o Federal Reserve poderia voltar a elevar os juros.

Destaques

  • O ouro à vista caiu 0,57%, e os futuros recuaram 0,59%.
  • Inflação mais alta reforça apostas em alta dos juros pelo Fed.
  • Venda de ações de tecnologia aumenta a pressão sobre o ouro.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

Ouro à vista caiu 0,57%, para US$ 3.997,75 a onça, enquanto os futuros de ouro para dezembro recuaram 0,59%, para US$ 4.007,55, segundo as cotações mais recentes do mercado. A Bloomberg informou que a alta dos preços do petróleo e uma nova onda de vendas de ações de tecnologia estavam aumentando a pressão sobre o ouro, que acumula queda de quase 4% em outubro.

Inflação reforça expectativas de juros mais altos

Os dados de inflação dos EUA ampliaram as preocupações de que a política monetária possa permanecer restritiva por mais tempo do que os investidores esperavam. O índice de preços de gastos com consumo pessoal subiu 0,5% em setembro, o maior avanço mensal desde março, reforçando as expectativas de que o Federal Reserve volte a elevar os juros antes do fim do ano.

Os preços mais altos da energia contribuíram para as perspectivas de inflação, enquanto novas tensões envolvendo o Irã ameaçam o abastecimento de petróleo. Os preços do petróleo bruto subiram em meio a preocupações de que Washington possa retomar os ataques militares após as próximas eleições de meio de mandato dos EUA, aumentando a incerteza sobre a trajetória dos custos de energia.

Embora o ouro seja tradicionalmente visto como proteção contra a inflação, juros mais altos podem reduzir sua atratividade. O ouro não gera juros, o que torna os ativos remunerados por juros mais atraentes quando os custos de empréstimos e os rendimentos dos títulos sobem.

Perdas em ações de tecnologia aumentam a pressão sobre o ouro

A queda do ouro também coincidiu com uma ampla retirada de investimentos em ações de tecnologia. Resultados corporativos decepcionantes intensificaram as preocupações com os investimentos em inteligência artificial e desencadearam uma nova onda de vendas nos mercados acionários globais.

Quedas acentuadas nos mercados acionários podem obrigar investidores a liquidar posições lucrativas ou relativamente estáveis para cobrir perdas em outros ativos. Assim, o ouro pode cair junto com as ações em períodos de estresse financeiro, apesar de sua reputação como ativo defensivo.

O metal tem enfrentado dificuldades para se recuperar após uma onda de vendas liderada pelo setor de tecnologia ter levado os preços ao nível mais baixo desde julho. Compras de famílias chinesas e de investidores de longo prazo deram algum suporte perto de US$ 4.000, mas não reverteram a queda mensal.

Ouro e prata podem enfrentar mais volatilidade no mercado

A prata sofreu uma correção mais acentuada do que o ouro, caindo cerca de 15% em outubro. O metal era negociado perto de US$ 51 a onça, após ter atingido um pico acima de US$ 120 durante uma alta no início do ano.

O aumento da razão entre ouro e prata indica que a prata perdeu bastante valor em relação ao ouro. Os investidores também acompanham se novas perdas nas bolsas podem desencadear mais vendas de metais preciosos.

As perspectivas imediatas para o ouro dependem das expectativas de inflação, da política do Federal Reserve e da estabilidade dos mercados acionários globais. 

Anteriormente, informamos que Warsh mantém no radar uma alta dos juros em dezembro  enquanto o Fed mantém as taxas inalteradas.

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