Shelbit ligada ao Irã enviou US$ 676 milhões para a Binance em suposto esquema de evasão de sanções
A exchange de criptomoedas Shelbit, sediada em Dubai, processou pelo menos US$ 4 bilhões desde maio de 2024, atuando como um centro que conecta sites de apostas iranianos, o banco central do país e entidades ligadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Segundo a Reuters, pelo menos US$ 676 milhões foram transferidos de carteiras ligadas à Shelbit para endereços da Binance. Desse montante, cerca de US$ 540 milhões foram movimentados após o regulador de Dubai multar a exchange em janeiro de 2025 por operar sem licença.
A Reuters afirmou que não conseguiu determinar de forma independente quem, dentro do governo iraniano, controlava a Shelbit ou a rede mais ampla, nem se o IRGC supervisionava diretamente as operações da exchange.
Ligações diretas com o Irã
De acordo com a investigação, a Shelbit foi fundada por Siavash Kayvanpour, um expatriado iraniano radicado em Dubai.
Análises de blockchain realizadas por empresas investigativas e pelo pesquisador Rich Sanders identificaram que a plataforma processou fundos provenientes de uma rede com mais de 2.000 sites de apostas em língua persa.
Os pesquisadores também identificaram transações diretas entre a Shelbit, o Banco Central do Irã e carteiras que autoridades israelenses associaram ao IRGC. Além disso, a exchange interagiu com a Nobitex, maior exchange de criptomoedas do Irã.
Segundo os pesquisadores, pelo menos US$ 125 milhões do banco central iraniano passaram pela Shelbit. Outros US$ 20 milhões teriam origem em uma operação iraniana de mineração de criptomoedas.
Binance nega as acusações
De acordo com o relatório, Sanders informou à Binance sobre os supostos vínculos da Shelbit com o Irã em outubro de 2025.
Um porta-voz da Binance afirmou que a empresa não viu evidências que sustentem essas alegações e contestou a afirmação de que US$ 540 milhões teriam passado pela Binance após a Shelbit ser multada pela Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais (VARA) de Dubai.
A Binance também declarou que a própria Shelbit não mantinha uma conta na plataforma. Em vez disso, usuários individuais associados à exchange passaram por verificações de conformidade, enquanto contas suspeitas foram congeladas e encaminhadas às autoridades competentes.
Enquanto isso, tanto a VARA de Dubai quanto o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA estão investigando a Shelbit. O OFAC afirmou levar "muito a sério" as conclusões apresentadas na investigação.
A investigação ocorre após uma série de alegações envolvendo plataformas de criptomoedas ligadas ao Irã.
Em junho, analistas da TRM Labs afirmaram que a CoinEx processou mais de US$ 3,84 bilhões em transações ligadas a entidades iranianas sancionadas entre 2019 e 2026. Segundo os pesquisadores, a exchange pode ter servido como um dos principais canais do país para movimentação de ativos digitais no exterior.
Anteriormente, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções à Persian Gulf Marine Insurance Company e à HormuzSafe Marine Services Authority, alegando que faziam parte de uma rede de seguros marítimos ligada ao IRGC.
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