Liquidações de criptomoedas superam US$ 1,5B após ataque à Binance
Uma forte onda de vendas de criptomoedas após o ataque à Binance provocou US$ 1,53 bilhão em liquidações de traders nas últimas 24 horas. Os traders que apostavam na alta sofreram as maiores perdas.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Segundo a plataforma de análise CoinGlass, as liquidações totais chegaram a US$ 1,53 bilhão até a manhã de sexta-feira, com posições compradas respondendo por aproximadamente US$ 1,29 bilhão, ou 83,8% do total. As maiores perdas ocorreram nas últimas 12 horas, quando as corretoras encerraram à força posições no valor de US$ 1,37 bilhão, incluindo US$ 1,23 bilhão em posições compradas.
A onda de vendas ocorreu após uma violação de segurança na Binance reportada na quinta-feira. De acordo com as estimativas preliminares da corretora, o ataque afetou aproximadamente US$ 6,3 bilhões em ativos. A Binance prometeu indenizar os usuários por suas perdas e suspendeu temporariamente depósitos e saques para realizar verificações de segurança adicionais.
Nesse cenário, o Bitcoin caiu para cerca de US$ 76.460 antes de se recuperar para US$ 78.500. O Ethereum recuou para menos de US$ 2.200, mas depois se recuperou para US$ 2.240. Solana (SOL), XRP e Dogecoin (DOGE) também registraram quedas.
Bitcoin e Ethereum concentram o maior volume de liquidações
Os traders com posições em Bitcoin e Ethereum sofreram as maiores perdas. As liquidações de Bitcoin totalizaram aproximadamente US$ 499 milhões, enquanto as de Ethereum somaram outros US$ 358 milhões. Juntas, as duas criptomoedas representaram mais da metade de todas as posições encerradas à força.
A Solana veio em seguida, com US$ 82,6 milhões em liquidações, seguida por XRP, com US$ 38,1 milhões, e Dogecoin, com US$ 18,6 milhões.
Entre as plataformas de negociação, a Binance registrou o maior volume de liquidações. Na corretora, US$ 754,6 milhões em posições foram encerrados à força, o equivalente a 49,2% do total do mercado. Desse montante, US$ 670,6 milhões correspondiam a posições compradas.
As liquidações na Hyperliquid chegaram a US$ 251,4 milhões, enquanto a Bybit registrou US$ 186,5 milhões. A maior liquidação individual monitorada pela CoinGlass foi uma posição comprada de US$ 11 milhões em Bitcoin na Binance.
Recuperação dos preços provoca perdas para vendedores a descoberto
Após a queda inicial, o mercado de criptomoedas começou a se recuperar, provocando outra onda de liquidações. Dessa vez, os traders que haviam aberto posições vendidas esperando novas quedas nos preços ficaram sob pressão.
Nas últimas quatro horas, as posições vendidas responderam por aproximadamente US$ 57,3 milhões dos US$ 85 milhões em liquidações totais. A participação foi ainda maior na última hora, chegando a US$ 20,6 milhões de um total de US$ 21,6 milhões, ou cerca de 95%.
Esse padrão reflete a dinâmica das negociações alavancadas. Quando os preços caem acentuadamente, as corretoras encerram automaticamente as posições compradas de traders que já não têm garantias suficientes. Esses encerramentos forçados geram pressão de venda adicional e podem acelerar as quedas do mercado.
O contrário acontece quando os preços se recuperam. A liquidação de posições vendidas exige a recompra do ativo subjacente, o que gera demanda adicional e pode impulsionar os preços.
Assim, o uso disseminado de alavancagem ampliou a volatilidade do mercado de criptomoedas nos dois sentidos. A onda inicial de vendas provocou liquidações em massa de posições compradas, enquanto a recuperação subsequente forçou traders que apostavam em novas quedas a encerrar suas posições.
Binance já sofreu grandes ataques hackers
Esta não é a primeira grande violação de segurança envolvendo a Binance. Em maio de 2019, hackers roubaram 7.000 BTC da corretora, avaliados em aproximadamente US$ 40 milhões na época. Os invasores usaram phishing, malware e outras técnicas para obter acesso às chaves de API e aos códigos de autenticação de dois fatores dos usuários. Os fundos foram retirados da carteira quente da corretora em uma única transação. A Binance cobriu as perdas com seu fundo de reserva emergencial SAFU.
Outro grande incidente ocorreu em outubro de 2022, quando invasores exploraram a ponte cross-chain BSC Token Hub, associada ao ecossistema BNB Chain. A vulnerabilidade permitiu a criação não autorizada de aproximadamente US$ 570 milhões em tokens BNB. Para evitar novas transferências dos fundos roubados, os validadores interromperam temporariamente a blockchain. No entanto, o ataque teve como alvo a infraestrutura da BNB Chain, e não a plataforma de negociação da Binance.
Vale lembrar que a Binance prometeu indenizar os usuários por suas perdas.
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