Kyle Torpey

Coreia do Sul avalia exigir 99% dos ativos em cold wallets nas exchanges

Coreia do Sul avalia exigir 99% dos ativos em cold wallets nas exchanges
Coreia do Sul avalia exigir 99% dos ativos em cold wallets nas exchanges

​As autoridades financeiras sul-coreanas consideram elevar de 80% para 99% a parcela obrigatória dos criptoativos de clientes mantida em cold wallets, após o ataque à Binance. Representantes do setor alertam que exigências mais rígidas podem causar atrasos nos saques e elevar os custos operacionais das exchanges.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

Segundo o News1, a Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul (FSC) realizou uma reunião de emergência com representantes das principais exchanges de criptomoedas e provedores de custódia em 2 de novembro. Os participantes discutiram medidas adicionais para proteger os ativos dos clientes após o grande ataque cibernético à Binance em 29 de outubro.

Uma das propostas elevaria para 99% a parcela mínima de ativos armazenada sem conexão contínua com a internet. Nenhuma decisão foi tomada, e os detalhes específicos de possíveis regulamentações continuam em discussão.

Novas exigências podem afetar a maioria das exchanges de criptomoedas

Atualmente, a Lei de Proteção aos Usuários de Ativos Virtuais da Coreia do Sul exige que as operadoras mantenham pelo menos 80% das criptomoedas dos clientes em cold wallets. Os ativos restantes podem ficar em hot wallets, usadas para processar depósitos e saques rapidamente.

No entanto, as maiores plataformas de negociação do país já mantêm níveis mais altos de armazenamento offline.

Segundo o News1, a Upbit mantém mais de 99% dos ativos dos clientes em cold wallets, a Bithumb, aproximadamente 94%, e a Coinone, cerca de 85%. A DigitalX e a Gopax mantêm índices pouco acima do mínimo atual de 80%.

Por isso, a adoção de uma exigência uniforme de 99% obrigaria a maioria dos participantes do mercado a revisar seus sistemas de gestão de liquidez.

O principal desafio é a redução dos recursos disponíveis para saques imediatos. Por exemplo, se uma exchange mantiver 10.000 unidades de uma criptomoeda, a exigência atual de 80% permite que até 2.000 unidades fiquem fora de cold wallets. Elevar o limite para 99% reduziria esse montante a apenas 100 unidades.

Transferir ativos de uma cold wallet exige procedimentos adicionais de verificação e assinaturas de transações. Em períodos de alta demanda, essas etapas podem atrasar o processamento de saques.

Setor alerta para possíveis atrasos nos saques

As novas regras podem ter consequências especialmente graves para exchanges menores, com reservas limitadas de determinados tokens.

Em períodos de fortes oscilações de preços, os atrasos nos saques podem impedir que investidores transfiram ativos para outra plataforma e executem operações a tempo.

Problemas semelhantes já ocorreram no mercado de criptomoedas da Coreia do Sul. Em agosto, a Bithumb enfrentou atrasos de aproximadamente 13 horas nos saques de algumas altcoins. A empresa atribuiu a interrupção à falta de recursos em hot wallets e à necessidade de transferir criptomoedas do armazenamento offline.

Representantes do setor também questionam se elevar a exigência de armazenamento offline, por si só, impediria ataques cibernéticos sofisticados. Entre as causas suspeitas do ataque à Binance estão o comprometimento do laptop de um funcionário, a invasão de sistemas internos e o acesso não autorizado aos mecanismos de aprovação de transações.

Em meio às consequências do ataque à Binance, a emissora da stablecoin USDT, Tether, congelou mais de US$ 1,5 bilhão em criptoativos ligados ao incidente. Segundo a empresa, a operação levou cerca de 30 minutos após o recebimento de informações sobre o envolvimento da Coreia do Norte no ataque.

Anteriormente, noticiamos que a Binance havia iniciado a segunda fase do processo de retomada dos saques após o grande ataque cibernético. A exchange continuou retomando as operações gradualmente enquanto lidava com as consequências do incidente.

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