Portugal enfrenta pressão dos combustíveis sobre inflação e avaliação do Governo

Portugal enfrenta pressão dos combustíveis sobre inflação e avaliação do Governo
Combustíveis pressionam inflação

A subida dos preços dos combustíveis está a agravar a pressão sobre a inflação em Portugal e a penalizar a perceção dos portugueses sobre o desempenho do Governo. O tema surge num contexto em que a inflação atinge 3,8% em outubro, apesar de o Executivo apontar para indicadores macroeconómicos favoráveis.

Destaques

  • Inflação em Portugal atinge 3,8% em outubro, impulsionada pela forte subida dos preços dos combustíveis, segundo o ministro Manuel Castro Almeida.
  • Governo tenta mitigar impacto dos combustíveis financiando gasóleo agrícola e para transportadores profissionais, visando conter aumentos de preços ao consumidor.
  • Apesar da pressão inflacionista, contas equilibradas, dívida em queda, emprego em alta e salários crescendo acima da inflação sustentam cenário macroeconómico positivo para o Executivo.

Combustíveis agravam pressão sobre preços

Como relatado pelo Jornal de Negócios, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirma que os elevados preços dos combustíveis pesam na avaliação que os portugueses fazem do Executivo e condicionam fortemente a opinião pública.

Em entrevista ao Negócios e à Antena 1, na Conversa Capital, o ministro diz que os portugueses são muito sensíveis ao aumento destes preços e reconhece que se trata de um problema que o Governo tem de enfrentar. Segundo Castro Almeida, é a forte subida dos combustíveis que está a alimentar a inflação, que atinge 3,8% em outubro.

O governante refere que o Executivo está a procurar limitar esse impacto através do financiamento do gasóleo agrícola e do gasóleo destinado aos transportadores profissionais. O objetivo, diz, é evitar que o agravamento dos custos energéticos se repercuta ainda mais nos preços dos bens vendidos ao consumidor, incluindo nos supermercados.

Governo destaca indicadores macroeconómicos

Apesar da pressão dos combustíveis, Castro Almeida sustenta que os principais indicadores macroeconómicos permanecem positivos. Entre os sinais apontados pelo ministro estão contas equilibradas, redução da dívida, descida de impostos, aumento do emprego e salários a crescerem acima da inflação.

Sobre o desgaste político do Executivo, o ministro rejeita sentir cansaço dentro do Governo e afasta a ideia de fragilidade iminente. Na mesma entrevista, defende que provocar eleições tende a penalizar os partidos nas urnas e considera, por isso, difícil o avanço de uma moção de censura.

Castro Almeida acrescenta que o Governo só cairá se PS e Chega entenderem ao mesmo tempo que podem beneficiar de eleições antecipadas, um cenário que considera pouco provável. A leitura do ministro sugere que a estabilidade política do Executivo continua, para já, dependente tanto da evolução do custo de vida como do cálculo partidário da oposição.

Na nossa publicação anterior sobre as variações recentes dos preços dos combustíveis em Portugal, detalhámos a descida ligeira do gasóleo e a subida mais acentuada da gasolina 95, bem como as diferenças relevantes entre postos e regiões. Também explicámos o pacote extraordinário de 38 milhões de euros e a prorrogação do subsídio ao gasóleo profissional, medidas destinadas a atenuar o impacto dos combustíveis nos custos do transporte e, por arrasto, no custo de vida.

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