Portugal avança com venda parcial da TAP Air Portugal

Portugal avança com venda parcial da TAP Air Portugal
TAP Air Portugal à venda

O governo português avança com a privatização parcial da TAP Air Portugal ao convidar Air France-KLM e Lufthansa a apresentarem propostas vinculativas para uma participação de 44,9%. O processo decorre num momento de forte pressão sobre os custos do setor, com a subida do combustível de aviação a poder influenciar a avaliação da companhia e o preço final do negócio.

Destaques

  • O governo de Portugal convidou Air France-KLM e Lufthansa para apresentarem propostas vinculativas pela TAP Air Portugal em até 90 dias, com decisão esperada para início de setembro.
  • O Estado português manterá 50,1% da TAP, poder de veto sobre cortes estratégicos e reserva até 5% das ações para trabalhadores, enquanto exige manutenção da marca, do hub de Lisboa e expansão no Porto.
  • A TAP cobre apenas 40% das necessidades de combustível para 2026, bem abaixo dos 85% da Air France-KLM e dos 76% da Lufthansa, aumentando sua vulnerabilidade a custos operacionais.

Concurso entra na fase de propostas vinculativas

Segundo o ThePortugalPost, o Conselho de Ministros de Portugal convidou formalmente a Air France-KLM e a Lufthansa a avançarem para a fase de ofertas vinculativas, com um prazo de 90 dias e decisão final esperada para o início de setembro. O Estado mantém 50,1% do capital da TAP Air Portugal e conserva poder de veto sobre cortes de rotas e decisões estratégicas, enquanto até 5% das ações ficam reservadas para trabalhadores.

O Ministério das Infraestruturas confirma que os dois grupos passam à fase seguinte depois de terem apresentado propostas não vinculativas no início de abril de 2026. A IAG, dona da Iberia e da British Airways, sai da corrida após discordar da recusa do governo em admitir uma posição maioritária.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirma que as propostas financeiras iniciais são "muito equivalentes", enquanto o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, diz que os dois candidatos apresentam planos industriais alinhados com as exigências do governo. Entre esses compromissos estão a expansão da operação no Porto, a preservação da conectividade com países lusófonos e o reforço dos centros de manutenção e engenharia da companhia.

Impacto nos voos, no emprego e na avaliação da companhia

A venda parcial da TAP tem efeitos diretos para passageiros e trabalhadores em Portugal. O governo exige a manutenção da marca TAP, da posição de Lisboa como hub estratégico e das ligações ao Brasil, à África lusófona e à América do Norte, enquanto a expansão no Porto surge como condição obrigatória para o comprador.

As duas companhias prometem mais rotas internacionais diretas a partir do Porto e maior frequência de voos, o que pode reduzir a dependência de escalas em Lisboa para passageiros do norte do país. O desenho da operação também inclui compromissos de investimento na frota e um plano de crescimento para dez anos, embora os detalhes só devam surgir com a entrega das propostas vinculativas.

Na frente laboral, o caderno da operação prevê proteção do emprego, programas de formação técnica e reserva de ações para os trabalhadores. Ao mesmo tempo, a TAP enfrenta uma exposição relevante à subida do combustível, já que cobriu apenas 40% das necessidades de fuel para 2026, abaixo dos 85% da Air France-KLM e dos 76% da Lufthansa.

Esse diferencial deixa a transportadora mais vulnerável ao aumento dos custos operacionais e pode pressionar tarifas. Avaliações independentes feitas pela EY e pelo Banco Finantia no fim de 2025 estimavam o valor empresarial da TAP entre 1,45 mil milhões e 1,64 mil milhões de euros, mas a escalada do combustível e a saída da IAG podem alterar esse intervalo durante a fase final do processo.

Na nossa publicação anterior, acompanhámos a nova fase da privatização parcial da TAP, quando o Governo manteve a Air France-KLM e a Lufthansa na corrida e preparou os convites para a entrega de propostas vinculativas. O texto salientava que, apesar de os planos industriais serem considerados muito próximos, o critério de valorização financeira ganharia peso na decisão, com margem para ambos os grupos reverem e melhorarem as ofertas antes da escolha final.

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