Purever prevê salto de receitas com farmacêutica, centros de dados e baterias

Purever prevê salto de receitas com farmacêutica, centros de dados e baterias
Purever acelera crescimento

A expansão de projetos industriais ligados à farmacêutica e aos centros de dados está a impulsionar a atividade da portuguesa Purever em vários mercados europeus. A empresa estima que as receitas do primeiro semestre de 2026 cresçam 35% para 250 milhões de euros, depois de fechar 2025 com 450 milhões de euros em vendas anuais.

Destaques

  • Purever prevê faturação de 120 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 27% face a 2025, impulsionada por contratos com Novo Nordisk e Eli Lilly.
  • O negócio da Purever em centros de dados e fabrico farmacêutico pode elevar a faturação anual acima de 500 milhões de euros em 2026, caso o ritmo se mantenha no segundo semestre.
  • A empresa assegurou um contrato de 30 milhões de euros com a Agratas no UK e procura papel na gigafábrica CALB em Sines, um projeto de 2 mil milhões de euros com possível extensão até 2028.

Crescimento apoiado por contratos europeus

Conforme noticiou o ThePortugalPost, a Purever espera beneficiar de obras de expansão farmacêutica em França e na Irlanda, bem como da construção acelerada de centros de dados entre a Áustria e a Finlândia. Os contratos para instalar salas limpas e infraestruturas com controlo climático para a Novo Nordisk em França e para a Eli Lilly na Irlanda representam uma parte relevante da faturação do primeiro trimestre de 2026, que atinge 120 milhões de euros, mais 27% do que no mesmo período de 2025.

A empresa, sediada em Portugal, é especializada em isolamento térmico, controlo de contaminação e compartimentação corta-fogo, áreas críticas para unidades farmacêuticas e instalações tecnológicas. Além dos projetos em França e na Irlanda, a Purever assegura a expansão da Hovione no Seixal, um projeto para a Ferrer em Barcelona e instalações para a Colorplast em Felgueiras e para a Bluepharma em Coimbra.

O reforço do negócio também é sustentado por centros de dados na Áustria, Irlanda e Finlândia. A exposição a estes segmentos coloca a empresa portuguesa em duas das áreas de infraestrutura com maior crescimento na Europa e pode levar a faturação anual acima de 500 milhões de euros em 2026, se o ritmo se mantiver no segundo semestre.

Impacto industrial em Portugal e aposta em Sines

A Purever emprega mais de 1.500 pessoas em oito fábricas e antecipa que a carteira global de encomendas se traduza em atividade industrial local, incluindo em Nelas, no distrito de Viseu. A ligação entre contratos obtidos no exterior e produção realizada em Portugal reforça o peso do país nas cadeias industriais europeias e ajuda a manter emprego em engenharia, fabrico e logística fora do litoral mais industrializado.

Na frente das baterias, a empresa conquistou recentemente um contrato de 30 milhões de euros com a Agratas, unidade do Tata Group que está a desenvolver uma fábrica de células de iões de lítio em Somerset, no UK, através da subsidiária ARDMAC. Em paralelo, procura assegurar um papel na gigafábrica da CALB em Sines, um projeto de 2 mil milhões de euros que beneficia de estatuto de interesse nacional, até 350 milhões de euros de fundos europeus para reindustrialização e licenciamento acelerado.

Se entrar no projeto de Sines, a Purever poderá fornecer infraestruturas para áreas de atmosfera controlada, armazenamento químico ou tratamento de águas residuais, num contrato com potencial de se estender até 2028. O avanço desta operação poderá consolidar Portugal na cadeia de valor europeia das baterias, embora o país continue dependente de importações em segmentos como precursores catódicos e ainda não disponha de capacidade doméstica de reciclagem de células.

Na nossa publicação, analisámos como a transição energética e a agenda europeia de soberania tecnológica estão a reposicionar Portugal como destino competitivo para projetos industriais e tecnológicos. O texto destacava a aposta da UE em instrumentos como o Pacote de Soberania Tecnológica e a necessidade de mais agilidade regulatória e compras públicas para acelerar a escala, num contexto em que o Governo também sinaliza simplificação e maior previsibilidade no licenciamento para atrair investimento.

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