Portugal enfrenta risco de subida dos custos dos combustíveis com escalada no Golfo

Portugal enfrenta risco de subida dos custos dos combustíveis com escalada no Golfo
Combustíveis podem subir

A deterioração do cessar-fogo no Golfo Pérsico volta a pressionar os mercados energéticos e aumenta o risco de novos aumentos nos combustíveis em Portugal. Para uma economia fortemente dependente de importações de petróleo, a tensão no Estreito de Ormuz pode agravar custos no transporte, na indústria e nos orçamentos das famílias.

Destaques

  • Irão atacou bases dos U.S. no Kuwait e Bahrein em 27 de junho, intensificando riscos no Estreito de Ormuz, vital para 20% do comércio global de hidrocarbonetos.
  • Analistas preveem o preço do crude entre 110 e 140 euros por barril se as tensões no Golfo persistirem, com a Goldman Sachs apontando um acréscimo de 14 a 23 euros por barril.
  • O Banco Mundial projeta subida de 24% nos preços da energia e 16% nas matérias-primas até 2026, aumentando pressões inflacionistas em Portugal.

Escalada militar agrava risco energético

Conforme noticiou o ThePortugalPost, o cessar-fogo preliminar assinado em 17 de junho entre Washington e Teerão perde força depois de o Irão lançar ataques de retaliação contra instalações militares dos U.S. no Kuwait e no Bahrein. A Guarda Revolucionária iraniana diz ter atingido grandes bases americanas, numa resposta aos recentes bombardeamentos dos U.S. em território iraniano.

A pressão recai sobre o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos. Antes da atual vaga de hostilidades, o memorando de entendimento de 17 de junho previa 60 dias de passagem segura na rota marítima e abria espaço para negociações de paz, mas ambas as partes acusam-se de violações poucos dias depois.

Em 27 de junho, o CENTCOM atacou alvos no Irão, alegando incumprimento do cessar-fogo, e horas mais tarde seguiram-se contra-ataques iranianos. Embora responsáveis dos U.S. indiquem que não há danos significativos, os países do Conselho de Cooperação do Golfo pedem uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU perante o que classificam como uma escalada perigosa.

Impacto esperado na economia portuguesa

Portugal importa cerca de 90% do petróleo que consome, o que deixa famílias e empresas expostas a qualquer perturbação prolongada no Golfo. Analistas citados no texto admitem que o crude pode atingir entre 110 e 140 euros por barril se o Estreito de Ormuz continuar contestado, enquanto a Goldman Sachs estima um acréscimo de 14 a 23 euros por barril em caso de disrupções persistentes no transporte marítimo.

O efeito tende a espalhar-se pelos combustíveis, pela logística, pela agricultura, pelas pescas e pela aviação, além de pressionar a produção alimentar e industrial. O Banco Mundial projeta uma subida de 24% nos preços da energia ao longo de 2026 e refere também um aumento médio de 16% nas matérias-primas, cenário que reforça o risco inflacionista em Portugal.

As empresas importadoras já ajustam orçamentos perante a possibilidade de rotas marítimas mais longas e caras à volta da Península Arábica. Portugal dispõe de cerca de 90 dias de reservas estratégicas de petróleo, mas uma interrupção que se prolongue por várias semanas pode levar à ativação de medidas de contingência e a nova pressão sobre os preços no consumidor.

Na nossa publicação anterior sobre a inflação em Portugal e a volatilidade energética ligada ao Estreito de Ormuz, analisámos como as tensões no Médio Oriente estavam a pressionar os preços dos combustíveis e a prolongar o risco inflacionista até 2026. Também explicámos que, com a energia a encarecer e o BCE a manter uma política monetária mais restritiva, famílias e empresas poderiam enfrentar custos mais elevados na logística e nas cadeias de abastecimento, caso novas disrupções voltassem a agravar o mercado do petróleo.

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