Venezuela intensifica apelo para suspender sanções enquanto sismo trava reconstrução e atinge comunidade portuguesa
A pressão sobre o financiamento da resposta ao sismo na Venezuela aumenta depois de dois abalos no fim de junho devastarem zonas costeiras e agravarem uma crise humanitária de grande escala. Entre os quase 3.000 mortos confirmados estão 95 portugueses e lusodescendentes, enquanto fundos venezuelanos congelados no exterior continuam a limitar a reconstrução e a ajuda de emergência.
Destaques
- O governo venezuelano intensifica o apelo pelo levantamento imediato das sanções, alegando que cerca de 5 mil milhões de dólares em reservas permanecem congelados e inacessíveis para reconstrução pós-sismos.
- Os sismos de junho causam oficialmente 2.954 mortes, 16.592 feridos e 157 desaparecidos, com a comunidade portuguesa sofrendo o maior balanço de vítimas estrangeiras e 95 mortos confirmados.
- A criação do fundo 'Venezuela Renasce' com uma dotação inicial de 200 milhões de dólares é insuficiente face aos danos diretos estimados entre 4,7 mil milhões e 8,7 mil milhões de dólares, cerca de 6% do PIB venezuelano.
Sanções agravam bloqueio à reconstrução
Como noticiou o The Portugal Post, o governo interino venezuelano intensifica os pedidos de suspensão imediata das sanções internacionais, argumentando que os recursos bloqueados são essenciais para reconstruir as áreas atingidas pelos sismos de junho.Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, os abalos, de magnitude 7,2 e 7,5 e ocorridos a cerca de 200 quilómetros de Caracas, causaram pelo menos 95 mortes entre cidadãos portugueses e lusodescendentes, o maior balanço entre nacionalidades estrangeiras. Outras 58 pessoas continuam desaparecidas ou incontactáveis.
Até ao início de julho, o número oficial de mortos sobe para 2.954, com 16.592 feridos e 157 desaparecidos. Um portal da sociedade civil dedicado a localizar pessoas incontactáveis lista mais de 31.000 nomes, enquanto 16.309 pessoas ficam sem casa e 6.462 são retiradas dos escombros.
A Venezuela anuncia a criação do fundo "Venezuela Renasce", com uma dotação inicial de 200 milhões de dólares para financiar a reconstrução. Ainda assim, Caracas afirma ter cerca de 5 mil milhões de dólares em reservas congeladas no exterior, dos quais apenas 200 milhões foram mobilizados até agora para operações de socorro.
O Departamento do Tesouro dos U.S. emite isenções em 25 de junho de 2026 para autorizar determinadas transações humanitárias, mas essas medidas não libertam ativos soberanos nem restabelecem o acesso aos mercados internacionais de crédito. Organizações humanitárias alertam ainda que o excesso de cautela de empresas privadas reduz a oferta de bens críticos, incluindo antibióticos, equipamento de trauma e materiais de construção.
Impacto na comunidade portuguesa e na ajuda
As equipas portuguesas de resgate continuam a operar a partir de Catia la Mar, em La Guaira, uma das zonas mais afetadas e com forte presença de famílias portuguesas. Na semana passada, esses operacionais recebem a distinção "Heróis da Venezuela" pelo contributo prestado nas operações de socorro.Em Portugal, a Universidade dos Açores coordena uma campanha de recolha de bens em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. A iniciativa reúne kits de primeiros socorros, antissépticos, pensos, rádios, lanternas, baterias recarregáveis, tendas, sacos-cama, fraldas e ferramentas de construção, com entregas diárias na sala da Academia das Artes.
Para os residentes portugueses na Venezuela, a destruição provocada pelo sismo soma-se ao isolamento financeiro. Transferências, remessas e compras humanitárias podem sofrer atrasos devido aos obstáculos bancários associados às sanções, mesmo quando as operações são legalmente permitidas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal mantém listas atualizadas de vítimas mortais e desaparecidos e pode facilitar contactos com as equipas no terreno. A recomendação para famílias com familiares em La Guaira, Caraballeda e áreas costeiras vizinhas é acompanhar a informação através da missão consular portuguesa em Caracas.
Ao mesmo tempo, a recuperação de infraestruturas avança de forma parcial. A ministra dos Transportes, Jacqueline Farías, confirma progressos na repavimentação de estradas e na reconstrução de pontes em La Guaira, enquanto o aeroporto internacional de Maiquetía permanece a funcionar parcialmente após danos. As operadoras Digitel e Movistar Venezuela trabalham na reposição das comunicações com apoio da Starlink e instalam pontos gratuitos de Wi-Fi em abrigos temporários.
A Organização Mundial da Saúde alerta que abrigos sobrelotados e sem saneamento básico elevam o risco de surtos de sarampo, dengue, febre amarela e malária. Estimativas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apontam danos físicos diretos entre 4,7 mil milhões e 8,7 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de 6% do PIB venezuelano.
Na nossa publicação, acompanhámos a contestação de organizações de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo em Lisboa, que alertaram para o congelamento há cerca de oito anos dos protocolos de financiamento com a Câmara Municipal e a Santa Casa, apesar da subida de custos. O texto mostrou como este desfasamento pode pôr em risco serviços essenciais como alojamento de emergência e distribuição de refeições, mesmo com a existência de planos municipais e nacionais com verbas anunciadas.
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