Portugal reforça pressão por interligações elétricas com França e mais apoio da UE

Portugal reforça pressão por interligações elétricas com França e mais apoio da UE
Portugal exige ligação elétrica

Portugal intensifica a pressão política em Bruxelas para acelerar financiamento e obras que reduzam o isolamento elétrico da Península Ibérica. O governo argumenta que a fraca ligação à rede francesa mantém custos e limita o aproveitamento da produção renovável, num momento em que a UE negoceia o próximo quadro orçamental plurianual.

Destaques

  • Portugal solicita igual apoio europeu a sistemas insulares para interligações elétricas, com destaque para a atual capacidade de apenas 3,1% versus a meta de 15% até 2030.
  • A ministra Maria da Graça Carvalho pede reforço do financiamento ao armazenamento, subsídios à rede e aceleração do financiamento de interligações em cimeira com Portugal, Espanha, França, Alemanha e UE.
  • Maior capacidade de interligação com França pode reduzir volatilidade dos preços, impulsionar setores industriais eletrointensivos e valorizar renováveis via projetos como o corredor H2Med.

Pedido português centra-se em financiamento e rede

Como relatado pelo The Portugal Post, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defende numa cimeira ministerial em Paris que Portugal e Espanha devem receber tratamento semelhante ao de sistemas insulares no apoio europeu à energia. A posição portuguesa assenta na ideia de que a Península Ibérica funciona, na prática, como uma "ilha energética", devido à reduzida capacidade de interligação com França.

A ministra recorda que o tema das interligações surge numa cimeira bilateral em Figueira da Foz, em 2003, mas a capacidade entre França e a Península Ibérica permanece em 3,1% da capacidade instalada, muito abaixo da meta europeia de 15% até 2030. Segundo Carvalho, a recente ligação elétrica Minho-Galiza mostra que é possível avançar mesmo com constrangimentos ambientais, licenciamento municipal e compensações a proprietários.

Portugal pede três frentes de apoio, reforço do financiamento ao armazenamento de energia, subsídios para reforço da rede e aceleração do financiamento para projetos de interligação. Na reunião em Paris, que junta representantes de Portugal, Espanha, França, Alemanha e da Comissão Europeia, a ministra diz que o comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Jørgensen, se mostra recetivo, embora a decisão final dependa do Conselho e do Parlamento Europeu.

Impacto esperado em preços, indústria e hidrogénio

Para famílias e empresas, uma maior capacidade de interligação com França pode reduzir a volatilidade dos preços da eletricidade e melhorar a fiabilidade da rede ao longo da próxima década. Com ligações limitadas, Portugal e Espanha nem sempre conseguem exportar excedentes de energia renovável, enquanto em períodos de menor produção eólica ou solar dependem mais de geração de reserva e importações aos preços de mercado.

O tema também pesa nas decisões de investimento industrial. Setores eletrointensivos, como centros de dados, eletrolisadores de hidrogénio verde e metalurgia, avaliam custo da eletricidade e integração de mercado, e Portugal procura usar o seu potencial solar e eólico como vantagem competitiva.

Nesse contexto, o corredor H2Med ganha relevância como rota futura para exportação de hidrogénio da Península Ibérica para França e o noroeste da Europa. Para Lisboa, o projeto oferece uma alternativa para valorizar energia renovável doméstica caso as interligações elétricas continuem limitadas no curto prazo, ao mesmo tempo que acompanha a estratégia europeia de descarbonização da indústria pesada e dos transportes.

Na nossa publicação anterior sobre a interligação elétrica Minho–Galiza, detalhámos a entrada em operação de uma nova linha de muito alta tensão entre Portugal e Espanha, com 400 kV e mais 1.000 MW de capacidade de troca. Explicámos como o investimento associado reforça a segurança e a resiliência do sistema ibérico, ajudando a integrar mais energia renovável e a reduzir a volatilidade dos preços grossistas. Também enquadrámos o tema no objetivo europeu de aumentar as interligações e nas fragilidades evidenciadas por eventos recentes na rede.

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