Portugal desmantela rede que usou empresas-fantasma para lavar 50 milhões de euros

Portugal desmantela rede que usou empresas-fantasma para lavar 50 milhões de euros
Rede de lavagem exposta

Uma alegada rede criminosa internacional é suspeita de ter usado 11 empresas criadas em Portugal para branquear cerca de 50 milhões de euros obtidos através de uma fraude empresarial. O caso, investigado no âmbito da Operação Eclipse, envolve ligações a Espanha, Bélgica e Brasil e resulta já em dois arguidos em prisão preventiva no país.

Destaques

  • Uma rede internacional usou 11 empresas-fantasma em Portugal para lavar cerca de 50 milhões de euros provenientes de fraude de CEO entre 24 de novembro e 5 de dezembro.
  • A Polícia Judiciária apreendeu telemóveis, computadores, documentação bancária e dois principais suspeitos ficaram em prisão preventiva no âmbito das investigações.
  • O caso evidencia o elevado risco operacional para grupos empresariais, já que o esquema permitiu a movimentação de altas somas em apenas 11 dias explorando falhas de validação interna.

Esquema de fraude e branqueamento em Portugal

Como noticiou o CM Jornal, o Ministério Público indica que as 11 empresas foram constituídas em Portugal unicamente para servir de veículo ao branqueamento de capitais associados à chamada burla do CEO. A investigação aponta para uma organização com elementos ligados a Portugal, Espanha, Bélgica e Brasil, tendo já sido identificadas 11 pessoas e detidos dois homens na semana passada.

A fraude remonta a novembro do ano passado, quando um burlão, cuja identidade continua por apurar, se fez passar por Mario Greco, CEO do Grupo Zurich na Suíça. Através do WhatsApp, contactou Claudio Chiesa, CEO da Zurich Santander, alegando uma operação confidencial de fusão e aquisição entre a Zurich e o Banco Santander.

Segundo a investigação, a vítima recebeu documentos e a intervenção de um suposto advogado inglês conhecido no meio empresarial, o que ajudou a dar credibilidade ao contacto. Entre 24 de novembro e 5 de dezembro, Claudio Chiesa realizou 42 transferências, algumas próximas de 900 mil euros, totalizando cerca de 50 milhões de euros em apenas 11 dias.

Impacto judicial e sinais de risco para empresas

As autoridades portuguesas sustentam que o dinheiro foi depois lavado através das empresas de fachada controladas pelos suspeitos sediados no país. Na sequência das buscas domiciliárias realizadas pela Polícia Judiciária, foram apreendidos telemóveis, computadores, documentação bancária e outro material informático relevante para a investigação.

O principal visado em Portugal e outro arguido ficaram em prisão preventiva. De acordo com a investigação, João Pólvora, de 43 anos, coordenava os vários testas de ferro das sociedades fictícias criadas no país, enquanto a defesa de outro suspeito, representado pelo advogado Antero Claro Gonçalves, contesta a alegada posição de relevo que lhe é atribuída na estrutura.

O caso volta a expor o risco operacional da burla do CEO para grupos empresariais e instituições financeiras, num modelo de fraude que explora relações hierárquicas, confidencialidade e falhas de validação interna. Ao imitar comunicações de executivos de topo e enquadrar pedidos em operações sensíveis, este tipo de esquema reduz a perceção de risco e pode acelerar perdas elevadas em poucos dias.

Na nossa publicação anterior sobre a rentabilidade das empresas em Portugal no primeiro trimestre, destacámos a subida para 9,5%, perto de máximos históricos, apoiada por margens mais fortes e condições financeiras mais favoráveis. Referimos também o reforço da autonomia financeira e a descida do custo de financiamento, fatores que melhoram a resiliência das empresas, mas não eliminam riscos operacionais e de controlo interno que podem ter impacto material.

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