Portugal destaca energia como vantagem competitiva para localização industrial
A energia surge como um dos fatores com maior peso na atratividade industrial de Portugal num contexto internacional marcado por tensão geopolítica e volatilidade nos mercados. Ao mesmo tempo, a agenda económica desta quinta-feira inclui a ata do BCE, dados da balança comercial alemã, pedidos de subsídio de desemprego nos U.S. e novos indicadores sobre turismo e indústria em Portugal.
Destaques
- Os ataques dos U.S. ao Irão provocam instabilidade financeira global, caídas nas bolsas e subida do petróleo devido ao risco na oferta energética.
- O Banco Central Europeu aumentou em 25 pontos-base a taxa de juro para 2,25% e poderá rever sua postura se persistir a incerteza no Médio Oriente.
- As receitas turísticas em Portugal atingiram um recorde de 29,4 mil milhões de euros em 2023, com o setor representando 14% do PIB nacional.
Energia e agenda económica em foco
Como destaca o Jornal de Negócios, a energia dá a Portugal "vantagens claras" na localização industrial, num momento em que os investidores acompanham também o impacto do conflito no Irão sobre os mercados globais.Os ataques dos U.S. ao Irão na noite de terça-feira provocam forte instabilidade financeira e agravam os receios para a economia mundial. Teerão responde com ataques no Kuwait e no Bahrein e mantém a ameaça de voltar a encerrar o estreito de Ormuz, enquanto uma nova vaga de ataques norte-americanos lançada ontem à noite deverá prolongar a volatilidade.
Nas bolsas, o movimento é de perdas expressivas, enquanto no mercado obrigacionista se registam subidas relevantes das yields. O petróleo é o único ativo a avançar de forma clara, refletindo o risco acrescido para a oferta energética e para os custos da atividade industrial.
Indicadores testam economia europeia e portuguesa
O Banco Central Europeu publica a ata da reunião de política monetária de 11 de junho, na qual decide subir as taxas de juro em 25 pontos-base, para 2,25%, na primeira subida desde setembro de 2023. Na altura, Christine Lagarde diz não ver necessidade de uma resposta mais enérgica ao conflito no Irão, mas o agravamento da incerteza no Médio Oriente pode alterar a leitura do banco central sobre os próximos passos.Na Alemanha, os mercados aguardam os dados da balança comercial de maio, depois de o excedente ter recuado em abril para 14,5 mil milhões de euros, abaixo dos 14,7 mil milhões de março. O abrandamento reflete importações a crescerem mais depressa do que as exportações, um sinal relevante para a maior economia europeia.
Nos U.S., o Departamento do Trabalho divulga os pedidos de subsídio de desemprego da semana terminada a 4 de julho. Depois de uma queda de 1.000 pedidos na semana anterior, para 215 mil, os analistas apontam agora para uma subida para 218 mil, sugerindo alguma fragilidade no mercado laboral.
Em Portugal, os próximos dias trazem ainda estatísticas do turismo em 2025 e dados sobre o volume de negócios na indústria. Segundo dados do Governo citados no texto de base, as receitas turísticas atingem um recorde de 29,4 mil milhões de euros no ano passado e o peso direto do setor no PIB sobe para 14%, reforçando a importância destes indicadores para medir o ritmo da economia nacional.
No nosso artigo anterior sobre a subida dos preços do petróleo após novos ataques dos EUA ao Irão, explicámos como a tensão no Médio Oriente voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações. O texto destacou que incidentes com navios comerciais na zona e o aumento do risco de interrupções na navegação podem pressionar o Brent e o WTI, com impacto potencial na inflação e nos mercados financeiros.
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