Google enfrenta abertura de dados de pesquisa e Android na UE até 2027
A União Europeia prepara uma nova fase de aplicação das regras digitais que altera o funcionamento da pesquisa online e dos assistentes de inteligência artificial no mercado português. A partir de 2027, as mudanças atingem consumidores, programadores e empresas em Portugal, ao mesmo tempo que reforçam o papel de autoridades como a ANACOM e a CNPD na supervisão local.
Destaques
- Google terá de partilhar dados anonimizados de pesquisa com concorrentes qualificados na UE a partir de janeiro de 2027 e abrir funções do Android até julho de 2027.
- A abertura beneficia empresas como ChatGPT e startups portuguesas, permitindo acesso a dados antes exclusivos e impulsionando alternativas em pesquisa e IA localizadas.
- A fragmentação da pesquisa online pode redistribuir investimento publicitário, exigindo múltiplos canais e sujeitando Google a coimas de até 10% do volume de negócios anual por incumprimento.
Regras da UE redesenham pesquisa e Android
Conforme noticiou o The Portugal Post, a Google fica obrigada a partilhar dados anonimizados de pesquisa com concorrentes qualificados a partir de janeiro de 2027 e a abrir funções centrais do Android a assistentes rivais até julho do mesmo ano, no âmbito da Lei dos Mercados Digitais da União Europeia. O texto aponta que a medida procura reduzir a vantagem estrutural da empresa em pesquisa e inteligência artificial, apesar de a Google sustentar que a obrigação pode comprometer privacidade e segredos comerciais.No mercado português, a abertura dos dados pode beneficiar serviços como ChatGPT, Claude e Perplexity, desde que cumpram os critérios europeus de privacidade e segurança. Para os utilizadores, isso tende a traduzir-se em mais opções de pesquisa e em ferramentas mais adaptadas a consultas em português, linguagem local e preferências regionais.
Seis meses depois da partilha de dados, os utilizadores de Android em Portugal passam a poder definir um assistente de IA não pertencente à Google como opção predefinida. A empresa tem de disponibilizar 11 funções de sistema, incluindo ativação por voz, contexto de ecrã e acesso a aplicações essenciais, o que pode permitir usar alternativas à Gemini em tarefas do dia a dia.
A Google tem até 27 de julho de 2026 para apresentar a Bruxelas a sua proposta de conformidade. A Comissão Europeia sustenta que as novas exigências não impedem o lançamento de produtos, mas mantém que as salvaguardas de privacidade são obrigatórias.
Impacto em Portugal e pressão regulatória no setor
Para programadores e startups portuguesas, a mudança abre acesso a dados e funcionalidades que antes estavam reservados às equipas internas da Google, criando margem para novos motores de pesquisa e aplicações de IA. Para consumidores, 2027 deverá trazer mais ecrãs de consentimento, mais escolhas de serviços predefinidos e maior escrutínio sobre a forma como plataformas usam dados pessoais.As implicações estendem-se a empresas que dependem de Google Ads e Google Search Console, porque uma eventual fragmentação da pesquisa online pode redistribuir investimento publicitário por várias plataformas. Isso pode baixar custos por clique em alguns casos, mas também obriga equipas de marketing a gerir campanhas em mais canais.
O texto insere ainda a medida numa vaga regulatória mais ampla em Bruxelas, com pressão adicional sobre X, Meta, Apple e serviços de computação em nuvem. Em Portugal, a aplicação local das regras cabe em grande parte à ANACOM, em coordenação com a Comissão Europeia, enquanto as coimas por incumprimento podem atingir 10% do volume de negócios anual global no caso da Lei dos Mercados Digitais e 6% no âmbito da Lei dos Serviços Digitais.
Segundo o mesmo enquadramento, os próximos 18 meses são decisivos para perceber se a nova arquitetura regulatória europeia reforça concorrência e inovação no mercado português ou se aumenta custos operacionais para os grandes grupos tecnológicos.
Na nossa agenda económica anterior, destacámos o arranque da época de resultados das grandes tecnológicas nos EUA, com datas-chave para empresas como Tesla e Alphabet e o potencial impacto dessas divulgações no sentimento do mercado. Também sublinhámos que, no caso da Tesla (TSLA), os investidores estavam particularmente focados nos resultados do 2.º trimestre e em fatores operacionais que poderiam mexer com as expectativas no curto prazo.
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