O mercado brasileiro de transporte rodoviário de passageiros atrai uma nova fornecedora de infraestrutura tecnológica com a entrada da estoniana Turnit no país. A empresa prioriza Brasil e México na expansão latino-americana e quer avançar sobre gargalos de integração, distribuição e digitalização entre operadores.
Destaques
- Turnit inicia operações no Brasil oferecendo plataforma SaaS para transporte de passageiros, visando integração multimodal e controle direto para operadores.
- A receita global da Turnit na América Latina sobe de 4,22 milhões de euros em 2022 para 8,15 milhões de euros em 2025, crescimento de 93,1%.
- No Brasil, Turnit disputará mercado com Grupo Guanabara e RJ Consultores, enfrentando desafios de adaptação fiscal e buscando contribuir para meta global de crescimento de 25% até 2027.
Expansão mira operadores e integração de sistemas
Conforme noticiou o InfoMoney Mercados, a Turnit inicia a operação no Brasil com uma plataforma de software como serviço voltada a empresas de transporte de passageiros. Fundada em 2015 na Estônia, a companhia já atua em mais de 50 operações na Europa, América do Norte, África e Austrália, com soluções de inventário, vendas e distribuição multimodal.Globalmente, a tecnologia da empresa processa mais de 70 milhões de reservas de passageiros por ano. A proposta no Brasil é permitir que operadores mantenham o controlo sobre horários, tarifas, produtos e relação com os passageiros, enquanto ampliam a distribuição por diferentes canais, sem concentrar a venda num marketplace.
A plataforma Turnit Hub reúne diferentes modalidades de transporte numa única oferta, incluindo transporte urbano, comboios regionais, autocarros de longa distância e linhas intermunicipais. A empresa também aposta em padrões abertos, como o Open Sales and Distribution Model, para facilitar a interoperabilidade entre sistemas de operadores de diferentes dimensões.
Thiego Paes, diretor regional para a América Latina de BD & Sales da Turnit, afirma que o principal desafio está menos nas ferramentas já disponíveis e mais na disposição das empresas para promover mudanças estruturais. Segundo ele, parte dos sistemas hoje usados no mercado brasileiro ficou defasada e não evoluiu o suficiente nos últimos anos.
Brasil ganha peso na estratégia latino-americana
A entrada no país integra uma nova fase de crescimento da empresa na América Latina. Entre 2022 e 2025, a receita da Turnit sobe de 4,22 milhões de euros para 8,15 milhões de euros, um aumento de 93,1% no período, segundo dados divulgados pela própria companhia.O Brasil é tratado como um dos mercados prioritários da região, ao lado do México, apoiado pela dimensão da rede rodoviária de passageiros. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, citados pela empresa, apontam para mais de 101 milhões de passageiros por ano e uma frota superior a 32 mil veículos.
No mercado brasileiro, a Turnit passa a disputar espaço com grupos já estabelecidos, como o Grupo Guanabara, dono da Smart Travel e da MPlan, e com a RJ Consultores, dona do software totalBUS. O sector também passou recentemente por movimentos societários, incluindo a venda da participação da TOTVS na totalBUS para a alemã Distribusion, após uma tentativa da ClickBus de adquirir esse activo ter sido barrada pelo Cade por concentração de mercado.
Paes diz que o projecto latino-americano começa há cinco meses e que a adaptação às obrigações fiscais brasileiras está entre os pontos mais complexos da entrada no país. A empresa ainda não divulga projeção de faturação para o mercado brasileiro, mas espera que a operação local contribua para a meta de crescimento global de 25% em 2027.
Na nossa publicação anterior sobre a revisão de recomendações do JPMorgan para ações de transporte no Brasil, destacámos a troca de preferência no setor após o rali pós-primeiro turno: elevação de Rumo (RAIL3) para overweight e rebaixamento de Localiza (RENT3) para neutral. O banco apontou que a alta do segmento foi impulsionada pela queda dos juros de longo prazo e argumentou que a Rumo entra numa fase mais favorável de geração de caixa, enquanto a Localiza passou a levantar mais preocupações de valuation e depreciação.
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