Opep deve manter cotas de petróleo diante dos riscos no Oriente Médio que restringem a oferta
A Opep+ se prepara para manter inalteradas suas cotas de petróleo, apesar das contínuas interrupções no fornecimento em todo o Golfo Pérsico. Para o mercado, porém, a questão mais importante não é quanto os produtores estão autorizados a extrair, mas quanto petróleo bruto conseguem efetivamente colocar no mercado.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Sete membros importantes da Opep+ chegaram a um acordo preliminar para manter suas atuais metas de produção de petróleo em dezembro. Segundo a Reuters, a proposta deve ser analisada na reunião de 1º de novembro. As discussões envolvem Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã.
Três fontes disseram à agência que não se espera nenhuma mudança significativa na política petrolífera pelo menos até 2027. Os produtores do Golfo estão retomando gradualmente as exportações após meses de interrupções causadas pela guerra dos EUA contra o Irã, mas a maioria dos membros ainda produz bem abaixo de suas cotas oficiais.
Conflito no Oriente Médio limita o impacto das cotas de produção
A Opep+ elevou gradualmente os níveis de produção permitidos ao longo de 2026. Em setembro, o grupo havia revertido totalmente o corte de 1,65 milhão de barris por dia acordado originalmente em 2023. A guerra, porém, impediu muitos produtores de aproveitar plenamente essas cotas mais elevadas.
A aliança já havia decidido, em outubro, manter inalterados seus limites de produção para novembro. Um acordo separado, que retira cerca de 2 milhões de barris por dia do mercado, continua em vigor até o fim de 2026.
Isso significa que cotas inalteradas no papel não se traduzem necessariamente em uma oferta física estável. As exportações efetivas continuarão dependendo da capacidade de produção, da infraestrutura e da possibilidade de transportar petróleo bruto para fora da região com segurança.
Revisão da capacidade determinará a próxima etapa da política petrolífera
A Opep+ precisa agora concluir a revisão da capacidade de produção dos países-membros. Os resultados servirão de base para o cálculo das cotas de 2027 e ajudarão a determinar quando as restrições restantes poderão ser suspensas.
Esse processo se tornou mais complicado porque as prolongadas interrupções nas exportações dificultam a avaliação do volume que cada produtor consegue fornecer de forma realista.
A segurança do transporte marítimo é outra grande restrição. Como observou a Traders Union em sua cobertura da alta dos preços do petróleo, um ataque a um petroleiro no Estreito de Ormuz reacendeu as preocupações com o fluxo de petróleo bruto da região.
Assim, mesmo que a Opep+ mantenha as cotas inalteradas, como esperado, é improvável que o prêmio geopolítico nos preços do petróleo desapareça rapidamente. Enquanto o tráfego pelo Estreito de Ormuz continuar sob risco, o mercado tende a permanecer muito sensível a qualquer sinal de nova escalada.
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