Bitcoin torna-se uma ferramenta na rivalidade geopolítica entre EUA e China
A rivalidade estratégica entre os Estados Unidos e a China avançou para a esfera das criptomoedas. O almirante Samuel Paparo Jr., comandante das forças Indo-Pacífico dos EUA, disse a um comitê do Senado que o Bitcoin tem implicações para a segurança nacional.
Destaques
- O comandante do Indo-Pacífico dos EUA declarou o Bitcoin importante para a segurança nacional.
- A China possui a segunda maior reserva governamental de Bitcoin do mundo, apesar de proibi-lo domesticamente.
- Ambos os países estão ativamente competindo pelo controle dos ativos de Bitcoin e da infraestrutura de mineração.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
“O Bitcoin é uma realidade”, afirmou. “É uma ferramenta valiosa da ciência da computação usada para projetar poder. E além do seu aspecto econômico, possui aplicações realmente importantes em cibersegurança.”
No dia seguinte, durante uma audiência na Câmara, Paparo confirmou que o Pentágono opera seu próprio nó de Bitcoin e está realizando testes operacionais para proteger e assegurar redes utilizando o protocolo Bitcoin. Foi o primeiro reconhecimento público do tema por parte das Forças Armadas dos EUA.
Estratégias divergentes
De acordo com Cryptopolitan, a posição da China é notavelmente complexa. Em 2021, Pequim proibiu o Bitcoin e todas as atividades relacionadas a criptomoedas para seus cidadãos, citando preocupações ambientais, riscos de fraude e fluxos ilegais de capital. No entanto, acredita-se que a China detenha a segunda maior reserva governamental de Bitcoin do mundo.
Ao mesmo tempo, Pequim está lutando agressivamente para recuperar 127.000 BTC (aproximadamente $15 bilhões) confiscados pelos Estados Unidos do bilionário chinês Chen Zhi. Se for bem-sucedida, a China ultrapassaria as atuais reservas dos EUA, que somam cerca de 198.000 BTC.
Bitcoin como ferramenta geopolítica
Bitcoin está sendo cada vez mais utilizado por governos como meio de contornar sanções e como ativo estratégico de reserva. O Irã agora aceita Bitcoin para a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a Rússia anunciou que começará a aceitar Bitcoin para comércio internacional a partir de julho, e Taiwan está considerando a criptomoeda como possível reserva em caso de conflito com a China.
Nos Estados Unidos, senadores republicanos apresentaram o projeto de lei “Mining in America” para reduzir a dependência de equipamentos de mineração chineses. Atualmente, 97% do hardware utilizado nas operações de mineração de Bitcoin nos EUA é fabricado na China.
Novo front na competição entre superpotências
O domínio das criptomoedas tornou-se uma nova arena na competição entre Washington e Pequim. Enquanto os EUA focam em liderança tecnológica e na redução da dependência de hardware chinês, a China continua acumulando Bitcoin discretamente, mantendo a proibição doméstica.
O que começou como um experimento tecnológico evoluiu para um ativo estratégico. Ambas as nações agora reconhecem que a influência sobre o Bitcoin — e sobre o ecossistema cripto mais amplo — carrega um peso geopolítico significativo no século XXI.
Também noticiamos que um desenvolvedor de Bitcoin propôs um fork para reatribuir as moedas de Satoshi.
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