Irã permite o uso de criptomoedas no comércio exterior
O banco central do Irã flexibilizou as restrições cambiais em uma tentativa de incentivar as empresas a repatriar suas receitas de exportação. Agora, as empresas podem usar Bitcoin e a stablecoin USDT para liquidações internacionais por meio de exchanges locais de criptomoedas.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Segundo o Financial Times, os exportadores também poderão usar as receitas em moeda estrangeira obtidas no exterior para financiar importações diretamente. Antes, eles precisavam vender esses recursos primeiro por meio da plataforma cambial do governo, às taxas oficiais.
Por que o Irã está mudando as regras
A flexibilização ocorre enquanto a pressão das sanções dos EUA continua se intensificando. Em junho, a empresa de análise de blockchain TRM Labs afirmou que mais de US$ 3,8 bilhões haviam sido movimentados entre a exchange de criptomoedas CoinEx e entidades iranianas sancionadas ao longo de mais de sete anos. A CoinEx rejeitou as alegações de que mantinha vínculos comerciais com o governo iraniano ou com exchanges domésticas e afirmou que não havia fornecido canais de financiamento a partes sancionadas.
No início de junho, o Tesouro dos EUA impôs sanções a quatro exchanges iranianas de criptomoedas como parte de sua campanha Economic Fury. Pouco antes disso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as autoridades americanas haviam apreendido cerca de US$ 1 bilhão em criptoativos ligados ao Irã.
Mais tarde, em 14 de julho, Bessent afirmou que mais de US$ 130 milhões em criptomoedas mantidas em carteiras vinculadas ao banco central do Irã também haviam sido congelados. O órgão regulador iraniano não comentou publicamente as novas regras.
Por que o Irã está sob sanções
As sanções contra o Irã vêm se acumulando há décadas, e o programa nuclear do país se tornou uma das principais razões para as restrições. Os EUA e outros países acusaram Teerã de falta de transparência e manifestaram preocupação de que o enriquecimento de urânio pudesse aproximar o Irã do desenvolvimento de uma arma nuclear. Desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU adotou várias resoluções impondo restrições, enquanto os EUA ampliaram gradualmente as sanções contra bancos iranianos, o setor petrolífero e empresas ligadas a programas nucleares e de mísseis.
Sanções separadas dos EUA também estão relacionadas ao apoio do Irã a grupos armados no Oriente Médio, ao seu programa de mísseis balísticos e a alegações de violações dos direitos humanos. Como resultado, algumas restrições permaneceram em vigor mesmo após o acordo nuclear de 2015. Nos anos seguintes, Washington voltou a intensificar a pressão, limitando o acesso do Irã a transações em dólar, ao sistema financeiro internacional e às receitas de exportação.
Os EUA também ampliaram as sanções contra o setor cripto do Irã.
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