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Mas guardámos tudo 🙂.
Enquanto Meta e TikTok limpam seus feeds de conteúdos “arriscados” por medo dos reguladores, o mercado cripto encontrou uma alternativa. Onde Zuckerberg vê apenas riscos reputacionais, os novos líderes do setor construíram sua própria infraestrutura de influência. Então, onde a comunidade cripto se reúne hoje?
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Para marcas tradicionais de varejo ou de massa, esse é um ambiente ideal. Mas para projetos cripto, essa infraestrutura gigante acabou se tornando praticamente estéril.
O motivo é simples: os gigantes digitais operam sob a lógica do medo regulatório. Para eles, criptomoedas não são inovações, mas sim um pacote de riscos reputacionais. Por isso, os algoritmos da Meta e da ByteDance filtram conteúdos financeiros de forma tão agressiva. O alcance orgânico nessas plataformas não depende da qualidade do material ou do interesse genuíno do usuário, mas sim da paranoia dos moderadores, que enxergam um possível golpe em todo lugar.
Para o grande público, esse tipo de proteção pode ser útil. Mas para as comunidades cripto, tornou-se uma restrição básica de oxigênio. Como resultado, apesar de terem bilhões de usuários no papel, as redes sociais tradicionais estão se isolando voluntariamente e entregando um mercado colossal para os concorrentes. A audiência global de proprietários diretos de criptomoedas já ultrapassou 740 milhões de pessoas. As plataformas tradicionais simplesmente estão perdendo para aquelas que oferecem aos usuários o que mais importa: velocidade e liberdade de ação.
É aqui que nascem as narrativas que podem se transformar em movimentos de mercado em poucas horas e mexer com os preços: de lançamentos de ETF e rallies de meme coins a insights de fundos de venture capital e declarações de políticos do nível de Donald Trump. O mercado não chega ao X depois que uma tendência já se formou. A tendência é criada diretamente no feed de notícias.
Claro, o X está longe de ser perfeito. A plataforma está sobrecarregada de bots, ruído pago, manipulação e contas falsas. Mas esse caos reflete, em parte, a natureza invasiva do próprio mercado cripto.
O X importa não pela perfeição tecnológica, mas pela concentração única de pessoas que criam significado para o mercado: traders, desenvolvedores, analistas, heads de exchanges cripto e influenciadores. Aqui não existem longas cadeias de aprovação. Qualquer informação pode se transformar instantaneamente em liquidez.
A principal vantagem da plataforma é o atrito mínimo entre receber informação e realizar uma transação. Hoje, o Telegram se fundiu efetivamente ao Web3 por meio do ecossistema TON. Ferramentas integradas, desde uma carteira custodial simples até o TON Space descentralizado, permitem que os usuários transfiram criptomoedas diretamente dentro dos chats. Funciona tão fácil quanto enviar uma foto ou um sticker.
Esse caso mostra um modelo fundamentalmente novo: a criptomoeda não obriga mais o usuário a acessar DEXs ou exchanges externas complexas. Ela está sendo incorporada ao ambiente cotidiano familiar, mudando completamente a mecânica de entrada na indústria para o usuário comum.
O Reddit é o principal raio-X de qualquer startup Web3. Nos subreddits temáticos, é quase impossível vender uma promessa vazia: a comunidade disseca imediatamente o projeto em detalhes, fazendo perguntas difíceis sobre tokenomics, histórico real da equipe e auditorias de segurança.
O YouTube, por sua vez, oferece profundidade de contexto. Os usuários não vão lá em busca de sinais instantâneos, mas sim de análises técnicas detalhadas, entrevistas com fundadores e análises macroeconômicas dos ciclos de mercado.
Claro, ambas as plataformas também têm falhas, desde previsões pagas em vídeo até moderadores tendenciosos dentro das comunidades. Ainda assim, é aqui que a indústria cripto encontra algo que falta muito nas outras redes sociais: memória institucional, argumentos profundos e um verdadeiro teste de estresse para golpes.
O Nostr é provavelmente o mais próximo da filosofia do Bitcoin. É um protocolo aberto, sem servidores ou diretores, onde o usuário é identificado por uma chave pública e as mensagens são transmitidas por relays independentes. Jack Dorsey acreditou nessa arquitetura porque a via como um antídoto contra a censura nas plataformas Web2.
Farcaster e Lens estão ainda mais integrados ao ecossistema Web3. O objetivo deles é tornar perfis, seguidores e reputação portáteis. Se uma rede social tradicional pode banir uma conta ou cortar seu alcance a qualquer momento, no modelo descentralizado o usuário é dono dos seus dados e pode migrá-los para outro aplicativo com um clique.
Por enquanto, ainda é um mercado de nicho. Mas é aqui que está sendo construída a arquitetura para um mundo onde as regras do jogo são definidas por código, não por corporações.
Por isso Zuckerberg e ByteDance estão perdendo essa batalha para Musk e Durov. Enquanto as corporações tradicionais tentam proteger seu alcance bilionário da pressão regulatória, os algoritmos Web2 ultrapassados simplesmente não conseguem acompanhar a realidade. A indústria não precisa de plataformas onde o usuário só pode assistir vídeos ou escrever posts sobre ativos digitais. Precisa de plataformas que se tornem infraestrutura financeira.
Musk está sistematicamente transformando o X em um super app, enquanto Durov transformou os chats em um ecossistema bancário. O recurso midiático mais importante do futuro não será necessariamente aquele com o maior número de perfis. Será o espaço que der ao usuário controle real sobre capital e propriedade — tudo o que o velho mundo ainda considera “arriscado demais”.