Preço da prata recua para US$ 76, já que a queda do dólar não consegue compensar os temores de inflação

Preço da prata recua para US$ 76, já que a queda do dólar não consegue compensar os temores de inflação
Os preços da prata atingiram a mínima de um mês em 18 de março.

A prata (XAG/USD) caiu para uma baixa de um mês nesta quarta-feira, 18 de março. O metal caiu mais de 5% durante uma sessão volátil, rompendo o nível de US$ 80 e descendo para US$ 76, com os investidores lidando com os dados do núcleo da inflação que atingiram uma alta de três anos.

Destaques

  • A prata caiu para US$ 76,36 durante a sessão, marcando seu desempenho mais fraco desde fevereiro.
  • O rendimento do Tesouro de 10 anos subiu para 4,24%, enquanto o índice do dólar dos E.U.A. mostrou um novo impulso.
  • O núcleo da inflação dos preços ao produtor atingiu 3,9% ao ano, efetivamente apagando as apostas do mercado em relação a um corte na taxa de juros em meados do ano.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

A perspectiva técnica para a prata se deteriorou rapidamente depois que o metal não conseguiu defender a zona crítica de suporte de US$ 78,12. Em prazos mais curtos, a ação do preço formou um claro triângulo descendente caracterizado por uma série de máximas mais baixas e uma base plana que finalmente cedeu sob forte pressão de venda. Esse rompimento sugere que o momentum de baixa originado do pico de março, próximo a US$ 96, continua firmemente no controle da tendência.

A resistência está agora firmemente estabelecida no nível de US$ 80,56, onde a média móvel exponencial de 20 períodos está atualmente rolando. Para que uma tendência neutra retorne, a prata precisaria de uma recuperação decisiva acima dessa média, seguida por uma quebra da linha de tendência inclinada para baixo, perto de US$ 84. Até que esses níveis sejam recuperados, a estrutura do mercado permanece vulnerável a novas liquidações, já que os traders de curto prazo tratam qualquer salto intradiário como uma oportunidade de sair de posições compradas.

A ausência de uma divergência de alta sugere que qualquer recuperação no preço da prata pode ser limitada a um teste do nível rompido de US$ 78. Se a tendência de baixa continuar a ganhar tração, o próximo grande objetivo dos ursos está na marca de US$ 72, que representa um piso horizontal importante desde meados de fevereiro.

Dinâmica do preço da prata (fevereiro - março de 2026). Fonte: TradingView.

A cautela do banco central encontra a inflação impulsionada pela energia

O principal fator para a queda de ontem da prata foi a percepção de que a inflação ainda é um perigo no horizonte. Com os preços ao produtor subindo 0,7% em fevereiro, espera-se que o Fed mantenha uma posição política restritiva. Essa mudança nas expectativas forçou uma recalibração maciça no mercado de futuros, com os traders agora precificando uma alta probabilidade de que as taxas de juros permanecerão inalteradas até o final de 2026.

A prata continua a mostrar alguma resistência à complexa situação no Oriente Médio. Esse risco de oferta está criando um piso claro que impede que a prata sofra um colapso total neste momento, uma vez que muitos investidores mantêm uma parte de seus portfólios em metais como uma proteção contra uma possível crise energética global.

A demanda industrial continua sendo um pilar de apoio secundário, mas vital, principalmente porque a fabricação de produtos solares e eletrônicos no Oriente mostra sinais de recuperação. No entanto, as recentes saídas de fundos negociados em bolsa apoiados em prata, totalizando mais de 1,5 milhão de onças na última quinzena, sugerem que os investidores especulativos e institucionais estão atualmente priorizando o dinheiro e os rendimentos em detrimento da posse física. A lacuna entre o preço do papel e os prêmios físicos está aumentando, já que a demanda de entrega continua a pressionar os níveis de estoque global.

Reações voláteis são esperadas após o veredicto da política

Caso o Fed apresente uma posição hawkish que enfatize a necessidade de combater ainda mais os custos de energia, a prata poderá deslizar rapidamente para US$ 74. Nesse cenário, o fortalecimento do dólar norte-americano provavelmente atuaria como um impulso para uma redefinição mais profunda, testando as convicções dos detentores de longo prazo. Os touros precisariam ver uma defesa bem-sucedida das baixas de fevereiro para evitar um colapso técnico mais amplo em direção a US$ 68.

Por outro lado, se o banco central reconhecer os riscos negativos para o crescimento econômico decorrentes da guerra, poderá ser desencadeada uma recuperação. Um aumento acima de US$ 82 invalidaria o recente movimento de baixa e sugeriria que o mercado precificou totalmente o choque inflacionário. Devido aos altos riscos da próxima conferência de imprensa, espera-se que a volatilidade permaneça extrema, com oscilações bruscas nos dois sentidos, conforme o mercado analisa o gráfico de pontos atualizado e as projeções econômicas.

A prata ainda está sendo negociada muito acima de onde começou o ano, mesmo após a forte retração desta semana, e é por isso que a volatilidade de curto prazo provavelmente continuará elevada. O movimento atual é importante porque ajudará a determinar se a queda mais recente foi uma reinicialização rápida dentro de uma tendência de alta maior ou o início de uma fase de resfriamento mais ampla.

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