Preço da prata recua para US$ 68, à medida que rendimentos mais altos e alta do petróleo enfraquecem a demanda por ativos de refúgio

Preço da prata recua para US$ 68, à medida que rendimentos mais altos e alta do petróleo enfraquecem a demanda por ativos de refúgio
A prata caiu na quinta-feira, já que o aumento dos rendimentos e os preços mais fortes da energia pesaram sobre a recuperação.

O preço da prata caiu novamente na quinta-feira, 26 de março, com o metal sendo negociado perto dos $68, depois que a recuperação de quarta-feira deu lugar a uma nova pressão de venda. O movimento ocorreu quando os rendimentos do Tesouro dos E.U.A. subiram novamente, o dólar se firmou e o petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100, deixando a prata presa entre seu apelo defensivo e um cenário macro que se tornou menos amigável para metais sensíveis a taxas.

Destaques

  • A prata foi negociada perto de US$ 68 em 26 de março, depois de não conseguir manter a recuperação da sessão anterior.
  • O rendimento do Tesouro dos E.U.A. de 10 anos subiu novamente para cerca de 4,39%, reavivando a pressão sobre os metais preciosos.
  • O Brent subiu acima de US$ 106 e o dólar se fortaleceu, adicionando outra camada de resistência à prata.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

A prata agora se parece menos com uma cura de mercado e mais com um mercado que ficou sem vendedores por um breve período antes que a próxima onda aparecesse. Depois de ser negociada acima de US$ 72 na quarta-feira, os preços à vista voltaram para a área superior de US$ 60, o que coloca a recuperação anterior sob uma luz mais severa e deixa a dinâmica de curto prazo parecendo prejudicada novamente.

A primeira área que os traders provavelmente observarão fica em torno de US$ 67 a US$ 68. Uma manutenção estável nessa área poderia desacelerar a queda e dar ao mercado espaço para se reagrupar, mas um rompimento limpo exporia o piso recente próximo à região de meados de US$ 60 e colocaria novamente em foco a queda da semana passada.

Na parte de cima, o metal agora tem trabalho a fazer. A área de US$ 71 parece ser a primeira zona que precisa ser recuperada antes que os compradores possam começar a falar sobre uma recuperação mais duradoura, enquanto a faixa de US$ 70 a cerca de US$ 72 marca a parte do gráfico em que a última reversão realmente começou a se desfazer.

Dinâmica do preço da prata (Fonte: TradingView.)

O mercado encontrou uma nova desculpa para se preocupar com a inflação

A pressão de quinta-feira não veio apenas da prata. Os rendimentos dos títulos voltaram a subir, com os títulos de 10 anos dos EUA retornando para cerca de 4,39%, enquanto os rendimentos reais também subiram, apertando o cenário para metais sem rendimento, exatamente quando a recuperação de quarta-feira estava tentando ganhar credibilidade.

Enquanto isso, os mercados de energia voltaram a subir hoje. O Brent subiu acima de US$ 106 e o petróleo dos E.U.A. passou para a zona intermediária de US$ 90, já que as tensões no Oriente Médio mantiveram vivos os temores em relação à oferta, reavivando a mesma perspectiva de inflação que tem perturbado os metais preciosos e os ativos de risco mais amplos neste mês.

O dólar também contribuiu para esse quadro. O índice DXY voltou a se aproximar da marca de 100 na quinta-feira, o que tornou mais difícil para a prata manter os ganhos recentes, mesmo com o estresse geopolítico ainda em segundo plano. O Federal Reserve, por sua vez, deixou a taxa-alvo em 3,50% a 3,75% em sua reunião de 18 de março, de modo que a configuração mais ampla da política continua restritiva.

O próximo passo pode depender do fato de o pânico esfriar ou endurecer

Ainda há uma versão construtiva dessa história. Se os rendimentos recuarem em relação aos níveis atuais e a prata conseguir se estabilizar acima de US$ 67, o mercado poderá tentar se reerguer em direção a US$ 71 e, em seguida, desafiar novamente os US$ 70, especialmente se a última queda começar a parecer exagerada nos gráficos de curto prazo. Isso manteria as duas últimas sessões na categoria de consolidação violenta, em vez de falha total da tendência.

O caminho mais fraco também é fácil de imaginar. Se o petróleo continuar subindo, o dólar se mantiver firme e os rendimentos dos títulos continuarem pressionando para cima, a prata poderá permanecer presa em um desdobramento confuso e revisitar os US$ 60,00 antes que os compradores mostrem real convicção. Nesse caso, a quinta-feira não se pareceria tanto com uma pausa, mas sim com a redefinição do mercado para uma faixa mais baixa.

A prata tende a amplificar as oscilações macroeconômicas porque é negociada tanto como metal precioso quanto como metal industrial. Essa dupla personalidade pode fazer com que as recuperações pareçam convincentes em um dia e frágeis no dia seguinte. O movimento mais recente é importante não apenas para os traders de metais, mas também para a conversa mais ampla sobre inflação, porque a prata agora está reagindo à mesma combinação de estresse energético, condições financeiras mais rígidas e mudanças rápidas no sentimento de risco que está impulsionando os movimentos em moedas, títulos e commodities.

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