Galp eleva lucro ajustado no 1.º trimestre com produção no Brasil e projetos verdes em Sines

Galp eleva lucro ajustado no 1.º trimestre com produção no Brasil e projetos verdes em Sines
Galp cresce com Brasil e Sines

A Galp regista um lucro líquido ajustado de 272 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela subida da produção no Brasil e por preços mais altos do crude Brent. O desempenho surge num contexto de volatilidade geopolítica e mantém em foco a aposta do grupo em Sines, onde avançam projetos de hidrogénio verde e biocombustíveis com entrada em operação prevista para 2026.

Destaques

  • EBITDA trimestral da Galp sobe 41% para 943 milhões de euros, impulsionado por produção diária de 129 mil barris no Brasil e preço médio do Brent de 81,10 dólares.
  • O segmento Industrial & Midstream cai 9% no EBITDA, para 198 milhões de euros, devido ao impacto negativo de 130 milhões de euros de desfasamento temporal, apesar do forte aumento nas exportações de gasolina.
  • No complexo de Sines, Galp investe 51 milhões de euros (+17%) no trimestre em projetos de hidrogénio verde e biocombustíveis com entrada prevista em 2026, reforçando posição na energia limpa europeia.

Resultados trimestrais e motores de crescimento

Como avançou o ThePortugalPost, a área de exploração e produção sustenta a maior parte do desempenho trimestral da Galp, ao representar 73% do EBITDA de 943 milhões de euros, que cresce 41% em termos homólogos.

O EBITDA desta divisão sobe 78%, apoiado por uma produção diária de 129 mil barris, acima dos 104 mil barris do primeiro trimestre de 2025, e por um preço médio do Brent de 81,10 dólares por barril, mais 7% do que no período homólogo. O campo de Bacalhau, no pré-sal da bacia de Santos, no Brasil, onde a Galp detém 20%, reforça este avanço depois de ter iniciado produção em outubro de 2025 e de continuar a aumentar atividade até à capacidade total esperada para dezembro de 2026.

A co-CEO Maria João Carioca classifica o trimestre como sólido, apesar da maior volatilidade do mercado e da incerteza global. A empresa indica que a diversificação de abastecimento e a infraestrutura de armazenagem permitem manter refinarias e postos em funcionamento durante as tempestades de inverno em Portugal e durante perturbações nas cadeias de abastecimento ligadas ao estreito de Ormuz.

Nem todas as áreas acompanham este ritmo. O segmento Industrial & Midstream regista uma descida de 9% no EBITDA, para 198 milhões de euros, pressionado por um impacto negativo de 130 milhões de euros associado ao efeito contabilístico de desfasamento temporal, apesar do aumento de 80% na comercialização de gás natural e da duplicação das exportações de produtos refinados, em especial gasolina.

A Galp apresenta ainda um prejuízo líquido IFRS de 111 milhões de euros no trimestre, causado por movimentos de valorização a mercado em instrumentos de cobertura. Ainda assim, o investimento totaliza 201 milhões de euros, abaixo dos 295 milhões de euros de um ano antes, com cerca de metade canalizada para operações upstream e o restante sobretudo para Sines.

Impacto industrial e transição energética em Portugal

Em Sines, a empresa investe 51 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 17% em termos homólogos, para desenvolver um eletrolisador de hidrogénio verde com 100 MW e uma unidade de biocombustíveis HVO/SAF. Ambos os projetos mantêm calendário para entrar em produção em 2026 e reforçam a posição de Portugal nas cadeias europeias de energia limpa.

O complexo industrial surge como peça central da estratégia de longo prazo da Galp, ao combinar combustíveis fósseis geradores de caixa no exterior com ativos de descarbonização em território nacional. Esta via pode apoiar as metas climáticas europeias até 2030 e responder às exigências regulatórias do transporte aéreo no âmbito do ReFuelEU Aviation.

Para o mercado português, os resultados deixam um sinal misto. Por um lado, a continuidade do abastecimento de combustíveis e gás durante fenómenos meteorológicos extremos e choques geopolíticos reforça a resiliência operacional da empresa; por outro, a ausência de contributo do mercado doméstico para o lucro ajustado do trimestre evidencia pressão sobre margens internas. Os investidores acompanham agora a capacidade da Galp para manter o impulso do Bacalhau ao longo de 2026 e cumprir os prazos dos projetos verdes de Sines.

Na nossa cobertura anterior sobre os resultados trimestrais da Galp e o arranque da semana na bolsa de Lisboa, destacámos que as contas da empresa impulsionaram a ação e deram suporte ao PSI nos primeiros minutos de negociação. Nesse contexto, assinalámos também a liderança da EDP Renováveis nas subidas e um desempenho misto entre as restantes cotadas, refletindo um mercado sem direção uniforme, mas atento aos principais pesos do índice.

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