Galp enfrenta arbitragem internacional sobre litígio fiscal de 162 milhões de euros em Moçambique

Galp enfrenta arbitragem internacional sobre litígio fiscal de 162 milhões de euros em Moçambique
Galp desafia arbitragem fiscal

O diferendo fiscal entre Moçambique e a Galp ganha dimensão internacional depois de a petrolífera avançar para arbitragem no tribunal do Banco Mundial, mantendo Maputo aberta a negociações diretas. Em causa está a tributação da venda, concluída em 2025, da participação de 10% da empresa na Área 4 da Bacia do Rovuma, um caso com implicações para o investimento no gás natural do país.

Destaques

  • Galp enfrenta arbitragem internacional com Moçambique sobre litígio fiscal de €162 milhões relacionado a transferências indiretas de ativos no setor extrativo.
  • O governo moçambicano pode gastar entre $6 milhões e $8 milhões na defesa, em meio a pressões sobre a dívida pública e necessidade de recursos para reconstrução pós-ciclone.
  • O caso serve como teste à previsibilidade fiscal de Moçambique, impactando decisões futuras de investidores internacionais no setor energético africano.

Impacto no investimento e nas relações com Portugal

Segundo The Portugal Post, o desfecho do processo pode influenciar a forma como Moçambique tributa futuras transferências indiretas de ativos no setor extrativo e tornar-se uma referência para outros investidores internacionais. Se a Galp prevalecer, o caso pode limitar a capacidade do Estado de captar receitas sobre operações semelhantes; se Moçambique vencer, reforça a margem para uma aplicação mais agressiva do imposto sobre mais-valias em recursos naturais.

Para o governo moçambicano, o litígio também tem peso orçamental e político. A defesa em arbitragem pode custar entre 6 milhões e 8 milhões de dólares, num contexto de pressão sobre a dívida pública e de necessidades de reconstrução pós-ciclone. Ao mesmo tempo, as reservas de gás da Bacia do Rovuma são vistas como essenciais para financiar infraestruturas, educação e serviços públicos.

Portugal acompanha o caso com cautela. Durante a visita de Chapo, o Presidente português, António José Seguro, manifesta a expectativa de que o diferendo seja resolvido "pelo diálogo e pelo direito", numa posição diplomática que procura equilibrar a relação histórica com Maputo e os interesses económicos ligados à Galp. Em paralelo, os dois países mantêm cooperação económica ativa, incluindo uma linha de crédito de 500 milhões de euros para apoiar empresas portuguesas em Moçambique e mecanismos de mobilidade laboral para trabalhadores moçambicanos.

A disputa surge como um teste às relações Lisboa-Maputo e à previsibilidade fiscal de Moçambique para o setor energético. Também sinaliza ao mercado que operações complexas no gás natural africano podem acabar em litígios longos e caros, mesmo quando envolvem grupos com presença consolidada e enquadramento contratual internacional.

Na nossa publicação, acompanhámos a arbitragem internacional iniciada pela Galp no ICSID para contestar a exigência fiscal de cerca de 175,9 milhões de dólares relacionada com a venda de 10% na Área 4 da Bacia do Rovuma à ADNOC. Também destacámos que o Governo moçambicano, pela voz de Daniel Chapo, manteve aberta a via do diálogo para tentar resolver o diferendo, num contexto em que Portugal reiterou a linha de crédito de 500 milhões de euros e referiu medidas de mobilidade laboral.

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