Moçambique mantém via negocial com a Galp em litígio fiscal sobre a Área 4 do Rovuma
Em plena arbitragem internacional sobre a venda de uma participação na Área 4 do Rovuma, o Governo moçambicano diz que continua disponível para dialogar com a Galp. A posição é reiterada por Daniel Chapo em Lisboa, numa fase em que Maputo também acompanha projetos ligados à linha de crédito portuguesa de 500 milhões de euros e medidas de mobilidade laboral.
Destaques
- Galp recorreu ao ICSID em 11 de julho, contestando a exigência fiscal de cerca de $175,9 milhões pela venda de 10% na Área 4 do Rovuma à ADNOC.
- Moçambique mantém aberta a via negocial com a Galp para resolver o litígio fiscal, mesmo após o início do processo arbitral internacional.
- Portugal reafirmou uma linha de crédito de €500 milhões, disponível desde dezembro de 2025, para apoiar empresas portuguesas em Moçambique.
Litígio fiscal e margem para entendimento
Segundo Jornal de Negócios, citando a Lusa, a Galp avançou em 11 de julho para arbitragem internacional no Centro Internacional para a Resolução de Diferendos relativos a Investimentos, ICSID, contestando o tratamento fiscal aplicado à venda da sua participação de 10% na Área 4 da Bacia do Rovuma à ADNOC, petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos.Daniel Chapo afirma, em Lisboa, que Moçambique respeita o direito da empresa de recorrer às instâncias internacionais, mas sustenta que a negociação continua a ser a melhor via para resolver o diferendo. O Presidente moçambicano acrescenta que o processo no tribunal arbitral não impede contactos entre as partes e diz que o executivo permanece aberto a uma solução negociada, desde que existam fundamentos para ultrapassar a disputa fiscal.
A Autoridade Tributária moçambicana reclama cerca de 175,9 milhões de dólares em impostos sobre a operação. Antes do recurso para arbitragem, Chapo já defendia um desfecho por via negocial e, durante a visita oficial a Portugal, o Presidente português, António José Seguro, manifesta igualmente a expectativa de que o caso seja resolvido pelo diálogo e pelo direito.
Linha de crédito e mobilidade laboral com Portugal
Sobre os resultados da visita oficial, Daniel Chapo diz que Portugal reiterou a disponibilidade da linha de crédito de 500 milhões de euros, anunciada em dezembro de 2025, para apoiar empresas portuguesas que operam em Moçambique. Segundo o chefe de Estado, os projetos apresentados pelo Governo moçambicano já estão em análise pelas autoridades portuguesas, para que o financiamento possa ficar operacional.Na mobilidade laboral, Chapo adianta que cerca de 1.500 moçambicanos já seguem para Portugal ao abrigo do acordo de migração laboral, através do Instituto Nacional de Emprego e de agências privadas. O Presidente diz ainda que o Governo quer negociar com Portugal um acordo específico para facilitar a contratação de profissionais moçambicanos para o setor da segurança, após preocupações transmitidas pela comunidade moçambicana residente no país.
O chefe de Estado apela aos jovens para utilizarem apenas canais oficiais de recrutamento. Chapo alerta para os riscos de viajar com promessas informais de emprego e sublinha que os trabalhadores colocados através do Instituto Nacional de Emprego seguem para Portugal com contrato assinado, seguro e restantes condições previamente definidas.
Na nossa publicação, abordámos o alargamento das Linhas BPF Apoio à Reconstrução para empresas de extração de madeira em todo o território continental, com o objetivo de acelerar a remoção de material lenhoso após a tempestade Kristin e reduzir o risco de incêndio. Explicámos que estas empresas podem candidatar-se, através dos bancos comerciais, a financiamento até 2,5 milhões de euros, mantendo-se as condições das vertentes de Tesouraria e Investimento, num esforço de reforço operacional nas zonas sob calamidade.
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