Portugal regista estagnação do PIB no primeiro trimestre com pressão de preços e tempestades
A economia portuguesa fica estagnada no primeiro trimestre, com o produto interno bruto a registar uma variação nula face aos últimos três meses de 2025. O abrandamento surge num contexto de perturbações causadas pelo comboio de tempestades e pela subida dos preços associada ao conflito no Médio Oriente.
Destaques
- O PIB de Portugal ficou estagnado no primeiro trimestre de 2026, registando variação nula após crescimento de 0,9% no trimestre anterior.
- Tempestades e guerra no Irão pressionaram a confiança de famílias e empresas, desacelerando o consumo e o investimento no início do ano.
- Consumo privado cresceu e o investimento acelerou expressivamente, impulsionados pela reconstrução pós-tempestades e execução do Plano de Recuperação e Resiliência.
Estimativa do INE aponta travagem da atividade
Como divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, na estimativa rápida das contas nacionais do primeiro trimestre publicada nesta quinta-feira, 30 de maio, o PIB “registou uma variação nula em volume, após um crescimento de 0,9% no trimestre anterior”. O resultado confirma a travagem da atividade económica no arranque do ano, depois de um final de 2025 mais forte.Os analistas já antecipavam uma forte desaceleração, após o efeito combinado das tempestades e da guerra no Irão sobre a atividade. As previsões apontavam para variações em cadeia entre 0% e 0,2%, num quadro em que o duplo choque pesa sobre a confiança das famílias e das empresas, pressionando consumo e investimento.
Procura interna evita quebra da economia
Apesar das expectativas de um contributo negativo da procura interna, os dados do INE mostram que o consumo e o investimento mantêm a economia acima da linha de água. O consumo privado cresce, embora a um ritmo inferior ao do quarto trimestre de 2025, enquanto o investimento regista, segundo o instituto, uma “aceleração expressiva”.O gabinete de estatísticas ainda não apresenta o detalhe completo das componentes. Ainda assim, o efeito da reconstrução após as tempestades e o último ano de execução da bazuca do Plano de Recuperação e Resiliência podem ajudar a explicar a aceleração do investimento.
Na nossa publicação anterior sobre o Plano Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) após as tempestades de inverno, explicámos que Portugal passou a contar com um envelope de 22,6 mil milhões de euros, combinando recursos públicos, fundos europeus e capital privado para acelerar a reconstrução e a recuperação económica. Nesse enquadramento, detalhámos a estrutura de financiamento e o objetivo de coordenar investimento para responder aos danos meteorológicos e reforçar a execução de projetos.
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