Portugal prepara plano para reduzir dependência de combustíveis fósseis

Portugal prepara plano para reduzir dependência de combustíveis fósseis
Fim da dependência fóssil

Portugal vai apresentar em breve um plano para cortar de forma substancial a dependência dos combustíveis fósseis, num momento de pressão acrescida sobre os mercados energéticos. A iniciativa surge com foco nos transportes e na indústria, setores onde o consumo de energia fóssil continua mais elevado e onde o Governo quer reforçar autonomia e competitividade.

Destaques

  • Portugal prepara plano para reduzir substancialmente a dependência de combustíveis fósseis, com foco em renováveis, eletrificação e armazenamento, segundo Maria da Graça Carvalho.
  • A ministra destacou que em janeiro o país atingiu 80,7% de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis, reforçando resiliência aos choques externos de preços.
  • A redução dos combustíveis fósseis visa aumentar a autonomia energética, proteger a indústria dos riscos de abastecimento e volatilidade dos mercados, e impulsionar competitividade.

Plano energético e prioridades do Governo

Como noticiou o Jornal de Negócios, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou esta segunda-feira que o Governo está a trabalhar num plano para reduzir substancialmente a dependência nacional dos combustíveis fósseis.

A governante enquadra essa necessidade na instabilidade geopolítica atual, com o conflito no Médio Oriente a pressionar os mercados energéticos e a reforçar a importância da autonomia energética. Na apresentação da proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis, a ministra afirma que Portugal continua ainda muito dependente dos combustíveis fósseis no consumo total de energia, sobretudo nos transportes e na indústria.

Entre as prioridades identificadas estão as zonas de aceleração de renováveis, a ligação à rede, a armazenagem e a eletrificação de setores económicos e da indústria. Maria da Graça Carvalho acrescenta ainda o incentivo aos combustíveis renováveis, líquidos e gasosos, para áreas de difícil eletrificação, como o transporte pesado de mercadorias, os navios e a aviação.

Autonomia energética ganha peso económico

A ministra defende que a redução da exposição aos combustíveis fósseis é também uma resposta à volatilidade dos preços e aos riscos de abastecimento. Segundo a governante, o objetivo é tornar Portugal mais independente de oscilações geopolíticas e de preços que o país não controla, associando essa estratégia à proteção climática, à qualidade do ar e à segurança energética.

Maria da Graça Carvalho sustenta ainda que a autonomia energética funciona como fator de competitividade para a indústria e para a economia. Nesse quadro, considera que o reforço da aposta nas energias renováveis é simultaneamente um imperativo climático e uma necessidade económica e estratégica.

Como exemplo, a ministra destaca que Portugal atingiu em janeiro 80,7% de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis, classificando o país como um caso de sucesso nesta área. A governante entende que a elevada incorporação de renováveis ajuda a amortecer choques externos nos preços da eletricidade, num contexto em que o conflito no Médio Oriente, iniciado no final de fevereiro e envolvendo U.S., Israel e Irão, aumenta a tensão nos mercados com perturbações no estreito de Ormuz, uma rota central para o transporte mundial de petróleo e gás.

Na nossa publicação anterior sobre a subida dos combustíveis em Portugal após o bloqueio do estreito de Ormuz, detalhámos como a escalada de tensões na região manteve o Brent em níveis elevados e se traduziu em aumentos imediatos no preço do gasóleo e da gasolina. Explicámos ainda os efeitos em cadeia para famílias e setores como transportes, turismo e indústria, bem como a avaliação, pelo Governo, de medidas de contingência para mitigar o impacto económico.

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