Portugal procura reforçar cooperação económica com a Alemanha e captar mais investimento
Luís Montenegro defendeu em Berlim um aprofundamento da cooperação económica e política entre Portugal e a Alemanha, apresentando os dois países como parceiros alinhados nas prioridades europeias. O primeiro-ministro português usou uma conferência empresarial alemã para promover Portugal como destino de investimento, num momento de reconfiguração das cadeias de abastecimento e de pressão por mais competitividade na União Europeia.
Destaques
- Luís Montenegro apresentou em Berlim a meta de Portugal aumentar o peso das exportações no PIB de cerca de um terço em 2011 para 44% em 2025.
- O primeiro-ministro destacou reduções da carga fiscal para famílias e empresas e políticas de crescimento sem agravamento fiscal para atrair mais investimento alemão.
- Montenegro apelou à criação de um fundo europeu de competitividade e defendeu uma União Europeia menos burocrática para dinamizar investimento e inovação.
Discurso em Berlim centra-se em investimento e competitividade
Conforme noticiou o Jornal de Negócios, o primeiro-ministro português discursou esta terça-feira no "Wirtschaftstag", uma das principais conferências económico-políticas da Alemanha, organizada pelo Wirtschaftsrat der CDU e com a presença de cerca de 3.000 empresários. Na intervenção, feita em inglês, Luís Montenegro afirmou que Portugal e Alemanha devem "partilhar o mesmo horizonte" no contexto europeu e defendeu que o país seja visto "não simplesmente como mais um ator europeu, mas como um parceiro estratégico".Ao lado do chanceler alemão, Montenegro destacou a convergência entre Lisboa e Berlim em matérias europeias, apontando a reforma e simplificação, a competitividade e o crescimento como prioridades comuns. O chefe do Governo sublinhou ainda a proximidade política com Friedrich Merz e disse contar com o líder alemão nos temas mais importantes do projeto europeu.
Na apresentação de Portugal aos empresários alemães, Montenegro descreveu o país como um caso de transformação económica desde a crise da dívida soberana de 2011. Referiu a redução do défice público, o regresso a excedentes orçamentais consecutivos e o aumento do peso das exportações no PIB, de cerca de um terço em 2011 para 44% em 2025.
Vantagens estruturais e apelo ao capital alemão
Montenegro salientou também as vantagens estruturais da economia portuguesa, incluindo a localização atlântica, a ligação entre Europa, América e África e o papel das infraestruturas digitais e logísticas. Segundo o primeiro-ministro, estes fatores ganham relevância numa fase de reconfiguração das cadeias de abastecimento globais.O líder do executivo afirmou ainda que Portugal combina estabilidade política e económica com políticas de crescimento e investimento sem agravamento fiscal, apontando reduções da carga tributária sobre famílias e empresas. Acrescentou que o Governo tem apostado na simplificação administrativa, na digitalização do Estado e na reforma de áreas como saúde, habitação e mercado laboral.
No plano europeu, defendeu uma União Europeia menos burocrática e mais orientada para o crescimento, pedindo o aprofundamento do mercado interno e a criação de um fundo europeu de competitividade para apoiar investimento e inovação. Dirigindo-se aos empresários alemães, sublinhou a complementaridade entre a engenharia e capacidade de planeamento da Alemanha e a adaptação e execução portuguesas, defendendo que este é o momento para reforçar a relação bilateral e atrair mais investimento.
Na nossa publicação anterior sobre a visita de Luís Montenegro a Berlim para reforçar as relações com a Alemanha, detalhámos a agenda centrada no investimento, na competitividade e no próximo quadro financeiro plurianual da UE. O texto destacava ainda o peso do comércio bilateral e os setores prioritários para cooperação — da energia e tecnologias digitais aos centros de dados e à indústria —, incluindo a participação do primeiro-ministro no Wirtschaftstag.
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