Portugal mantém política energética sem recomendar teletrabalho na crise do petróleo

Portugal mantém política energética sem recomendar teletrabalho na crise do petróleo
Energia mantém sem teletrabalho

Perante a pressão dos preços da energia e a aproximação do verão, o Governo português afasta para já medidas de contenção da procura como o teletrabalho ou a redução das viagens aéreas. A tutela da Energia diz também que o abastecimento de combustível de aviação está garantido até ao fim de agosto, com alternativas preparadas caso a guerra no Médio Oriente se agrave.

Destaques

  • Portugal mantém a política energética sem recomendar teletrabalho ou restrições a viagens, apesar da crise do petróleo e sugestões da AIE.
  • Galp e Repsol têm jet fuel garantido até fim de agosto e planos alternativos para importar 20% se o conflito escalar.
  • A Comissão Europeia lança no final de abril pacote de apoios a consumidores e empresas face aos preços elevados da energia, mas recua de recomendações explícitas de teletrabalho.

Plano para o verão e resposta à crise

Como reportou o Jornal de Negócios, a ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma em Bruxelas que o executivo não tem em cima da mesa recomendar teletrabalho para reduzir o consumo, apesar da atual crise do petróleo e das sugestões da Agência Internacional de Energia.

A governante sustenta que também não existe indicação para travar viagens de avião, defendendo que as pessoas têm direito a férias e deslocações, numa altura em que o verão se aproxima e o turismo representa 15% do PIB português. Maria da Graça Carvalho acrescenta que, no caso da Galp e da Repsol, o jet fuel está assegurado até ao fim de agosto e que as empresas têm planos alternativos para importar os 20% em falta se o conflito se intensificar.

Segundo a ministra, esses planos B e C podem evitar ruturas, embora admita que o cenário se torna mais sensível à medida que as crises se acumulam. O Governo diz, por isso, que procura evitar reduções forçadas da procura, apostando antes em medidas de eficiência energética.

Impacto nas famílias, transportes e eletricidade

No final de abril, a Comissão Europeia apresenta um pacote de respostas aos preços elevados da energia, incluindo apoios dirigidos a consumidores e empresas, possíveis cortes fiscais, ajustes tarifários e recurso a instrumentos de mercado e reservas estratégicas. Bruxelas recua, no entanto, de recomendações explícitas para reduzir o consumo através do teletrabalho ou da limitação de viagens, embora mantenha o incentivo geral à descida da procura energética.

Num rascunho anterior consultado pela Lusa, a Comissão sugere um dia obrigatório de teletrabalho por semana, maior uso de transportes públicos, bicicletas partilhadas, partilha de veículos e menos viagens aéreas, em linha com a Agência Internacional de Energia. Já esta sexta-feira, a AIE recomenda que Portugal apoie a compra de veículos elétricos usados, sobretudo para famílias de baixos rendimentos, e a ministra responde que o executivo já apoia veículos elétricos novos e deverá lançar em breve um novo concurso.

Sobre a fatura da eletricidade, Maria da Graça Carvalho afirma que os preços em Portugal estão entre os mais baixos da União Europeia e não registam subidas associadas à atual crise, por a produção nacional estar mais exposta às renováveis do que ao gás. Ainda assim, a forte dependência europeia das importações de petróleo e gás mantém a região vulnerável a choques externos e a pressão prolongada sobre custos energéticos.

Na nossa publicação anterior sobre as recomendações da AIE para descarbonizar os transportes em Portugal, destacámos a proposta de apoiar a compra de veículos elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, e de reforçar o carregamento urbano. O texto também sublinhou que a redução estrutural do consumo de petróleo passa por transferência modal para transportes públicos e ferrovia, para além da simples renovação tecnológica da frota.

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