Operadoras de telecomunicações em Portugal contestam visão regulatória e alertam para pressão sobre investimento

Operadoras de telecomunicações em Portugal contestam visão regulatória e alertam para pressão sobre investimento
Telecomunicações contestam regulação

As principais operadoras de telecomunicações em Portugal contestam a avaliação da Anacom de que o mercado permanece robusto e competitivo, num momento em que a guerra de preços comprime receitas e margens. O desacordo surge quando se aproxima a renovação de frequências em 2027, processo que o setor considera decisivo para a capacidade de investir em redes e cobertura.

Destaques

  • A presidente da Anacom afirmou no Digital Business Congress que o mercado tornou-se mais dinâmico após a entrada da Digi, não exigindo nova regulação.
  • Os CEOs da MEO, NOS e Vodafone Portugal discordam, citando uma redução de 1.200 empregos na MEO e receitas de retalho em 2025 ainda ao nível de 2013, apesar do aumento de clientes.
  • As licenças de espectro em bandas críticas expiram em 2027, operadoras pedem renovações de longo prazo, mas Anacom só apresentará proposta em 2026, elevando incerteza sobre investimentos.

Confronto sobre receitas, emprego e renovação de espectro

A ThePortugalPost refere que o choque entre regulador e operadores ganha força no Digital Business Congress, em Lisboa, onde a presidente da Anacom, Sandra Maximiano, descreve um mercado mais dinâmico após a entrada da Digi e sem necessidade de nova intervenção regulatória.

Na mesma conferência, os presidentes executivos da MEO, NOS e Vodafone Portugal rejeitam essa leitura. Miguel Almeida, da NOS, afirma que a imagem traçada pela reguladora não corresponde ao mercado em que as empresas operam, enquanto Ana Figueiredo, da MEO, diz não reconhecer essa robustez e recorda a redução de 1.200 postos de trabalho através de programas voluntários, embora a empresa continue a recrutar para funções especializadas.

Luís Lopes, da Vodafone Portugal, sustenta que as receitas de retalho em 2025 regressam a níveis de 2013, apesar do aumento da base de clientes. Dados citados no texto indicam que os pacotes convergentes, responsáveis por 56,1% da receita de retalho, avançam apenas 0,4% em 2025, enquanto a receita média mensal por cliente destes serviços desce para 39,58 euros no quarto trimestre.

O impasse estende-se ao espectro, com licenças em bandas como 800 MHz, 900 MHz, 1800 MHz e 2,6 GHz a expirarem em 2027. As operadoras pedem renovações de longo prazo para dar previsibilidade ao investimento, ao passo que a Autoridade da Concorrência defende leilões abertos e a Anacom promete apresentar uma solução equilibrada mais tarde em 2026.

A nossa publicação anterior sobre a reforma laboral “Trabalho XXI” explicou que, após o colapso das negociações na Concertação Social, o Governo enviou para a Assembleia da República um pacote que revê mais de 100 artigos do Código do Trabalho. O texto destacou mudanças polémicas — como o regresso do banco de horas individual, alterações aos contratos a termo e regras de reintegração após despedimento ilícito — e sublinhou a incerteza criada pela falta de maioria parlamentar, com possíveis efeitos para trabalhadores e empresas.

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