Mercados focam China, dados macroeconómicos e operações de dívida e dividendos em Portugal

Mercados focam China, dados macroeconómicos e operações de dívida e dividendos em Portugal
Mercados atentos e cautelosos

A sessão desta quinta-feira decorre sob forte atenção dos investidores a sinais geopolíticos e macroeconómicos, depois do primeiro encontro formal entre Donald Trump e Xi Jinping desde a chegada do presidente norte-americano a Pequim. Em paralelo, os mercados acompanham novos indicadores do Reino Unido, de Espanha e dos U.S., enquanto em Portugal estão em destaque uma possível revisão da emissão obrigacionista da Mota-Engil e o arranque dos direitos do scrip dividend da EDP Renováveis.

Destaques

  • Empresas norte-americanas como Nvidia, Apple e Tesla registaram ganhos em Wall Street após declarações de Donald Trump e Xi Jinping sobre relações EUA-China.
  • O PIB britânico cresceu 1% em fevereiro em termos homólogos, superando os 0,7% de janeiro, enquanto a inflação final espanhola de abril desacelerou para 3,2%.
  • A Mota-Engil pode rever em alta até €50 milhões a emissão de obrigações sustentáveis a 4,6%, e a EDP Renováveis inicia negociação dos direitos do scrip dividend vinculado a 46.921.120 euros de aumento de capital.

Agenda internacional condiciona sentimento dos mercados

Como adianta o Jornal de Negócios, os investidores reagem esta quinta-feira às declarações de Donald Trump e Xi Jinping, após a reunião formal realizada na madrugada de Lisboa, com a guerra no Irão, a relação comercial entre as duas maiores economias mundiais e a concorrência tecnológica entre os temas em foco.

Na sessão anterior de Wall Street, empresas norte-americanas cujos líderes acompanham Trump na visita a Pequim registaram ganhos, incluindo Nvidia, Apple e Tesla. O comportamento destas cotadas reforça a sensibilidade do mercado a eventuais sinais de distensão ou agravamento nas relações entre Washington e Pequim.

Na Europa, o Reino Unido divulga dados sobre a evolução do produto interno bruto do primeiro trimestre, num contexto de nova instabilidade política. Em fevereiro, o PIB britânico cresce 1% em termos homólogos, acima dos 0,7% de janeiro, valor entretanto revisto em baixa.

Também em Espanha são conhecidos os dados finais da inflação de abril, depois de a leitura preliminar apontar para uma desaceleração para 3,2%, face aos 3,4% de março. Os investidores seguem ainda uma nova intervenção da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, à procura de indicações sobre o enquadramento monetário na região.

Nos U.S., a agenda inclui novos números do emprego, em particular os pedidos iniciais de subsídio de desemprego na semana terminada a 9 de maio. Na semana anterior, esses pedidos sobem para 200 mil, mais 10 mil do que no período precedente, num momento em que o impacto da guerra no Irão sobre a inflação também entra no radar dos mercados.

Empresas portuguesas em foco com dívida e remuneração acionista

A nível empresarial, a Mota-Engil mantém em curso o período de subscrição das Obrigações Ligadas a Sustentabilidade Mota-Engil 2026-2031, com juro de 4,6%. A empresa pode rever em alta, até esta quinta-feira, o montante nominal global inicial de até 50 milhões de euros, caso a procura dos investidores o justifique.

A operação dá um sinal sobre a capacidade de financiamento no mercado nacional e sobre o apetite por instrumentos de dívida corporativa com componente de sustentabilidade. Uma eventual ampliação da emissão também poderá indicar condições de procura favoráveis para a construtora.

Já a EDP Renováveis inicia nesta quinta-feira a negociação dos direitos sobre as ações no âmbito do dividendo flexível. Os acionistas que detinham títulos até ao início da semana recebem direitos de incorporação, que podem vender à empresa ou a outros investidores.

Para receber uma nova ação são necessários 112 direitos de incorporação. O scrip dividend implica um aumento de capital até 46.921.120 euros por incorporação de reservas, mantendo a opção da empresa liderada por Miguel Stilwell d'Andrade por uma remuneração acionista em ações.

Na nossa análise anterior sobre a Nvidia, destacámos que a ação mantinha um viés técnico de alta, negociando acima das principais médias móveis, mas com sinais de sobrecompra a aumentar o risco de correção no curto prazo. Também sublinhámos que os controlos de exportação dos EUA continuam a limitar a venda de GPUs avançadas para a China, mantendo a pressão sobre a receita e acrescentando incerteza regulatória ao outlook. Esse enquadramento ajuda a explicar por que o mercado reage de forma tão sensível a qualquer sinal de distensão ou agravamento nas relações entre Washington e Pequim.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.