Portugal prepara benefícios fiscais para fundos de habitação acessível
O pacote fiscal da habitação chega ao parlamento com uma proposta de imposto reduzido sobre ganhos de fundos que invistam em habitação acessível. A medida procura atrair capital para um segmento com rendibilidade mais baixa do que a do mercado, num contexto de custos de construção elevados e entraves no arrendamento.
Destaques
- O governo português avalia benefícios fiscais para fundos de habitação acessível, visando aumentar o investimento em projetos com rentabilidade pressionada.
- Os projetos desse segmento operam com preços cerca de 80% abaixo do valor de mercado, reduzindo o retorno potencial e afastando operadores privados.
- Elevados custos de construção e incertezas legais, sobretudo o enquadramento dos despejos, continuam a limitar o apetite dos investidores privados, apesar das medidas fiscais.
Incentivo fiscal tenta destravar investimento
Como noticiou o Jornal de Negócios, a alteração fiscal em análise prevê uma tributação mais favorável para os ganhos obtidos por fundos com investimento em habitação acessível. A expectativa é que o mecanismo possa funcionar como catalisador para um setor que enfrenta dificuldades em captar investidores focados na rendibilidade.A lógica económica do segmento continua, porém, pressionada pela necessidade de colocar casas no mercado abaixo dos valores correntes, em torno de 80% do preço de mercado. Esse desconto reduz o retorno potencial dos projetos e limita a entrada de novos operadores privados.
Custos e regras mantêm pressão no setor
Além da menor rendibilidade, o mercado enfrenta custos de construção elevados e constrangimentos legais ligados ao arrendamento. O enquadramento judicial dos despejos é apontado como outro fator que aumenta o risco percebido pelos investidores.Neste contexto, o benefício fiscal poderá melhorar a atratividade financeira dos fundos dedicados à habitação acessível, mas o impacto dependerá também da evolução desses fatores estruturais. Sem alívio adicional nos custos e nas regras que afetam a execução dos projetos, a resposta do capital privado pode continuar limitada.
Na nossa publicação, acompanhámos a escalada das avaliações bancárias dos imóveis em Portugal e o consequente agravamento da acessibilidade, com a taxa de esforço das famílias a aproximar-se de níveis de rutura. O texto também destacou a resposta do governo com incentivos fiscais e apoios ao financiamento para acelerar a construção e a reabilitação, embora com efeitos mais lentos no curto prazo.
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