PME em Portugal enfrentam escassez de mão de obra e pressionam crescimento

PME em Portugal enfrentam escassez de mão de obra e pressionam crescimento
Escassez trava PME portuguesas

As pequenas e médias empresas em Portugal enfrentam uma das mais graves carências de trabalhadores da União Europeia, num contexto de envelhecimento demográfico, desajuste de competências e emigração. O problema atinge 35% das empresas inquiridas e aumenta os riscos para o investimento, a expansão da produção e a competitividade em setores estratégicos.

Destaques

  • Portugal é o terceiro país da União Europeia com maiores dificuldades de recrutamento, impactando 35% das PME, segundo Eurobarómetro de dezembro de 2025.
  • Entre as PME portuguesas, 15% tentaram recrutar fora da UE e 18% dentro da UE nos últimos dois anos, ambos entre os percentuais mais altos da Europa.
  • A escassez de mão de obra nas PME portuguesas aumenta salários, prolonga processos de contratação e exige maiores investimentos em formação e recrutamento internacional.

Escassez de talento agrava pressão sobre as empresas

Conforme o Eurobarómetro divulgado esta semana, com base num inquérito da Comissão Europeia realizado em dezembro de 2025 a 12.900 PME do bloco, incluindo 500 empresas portuguesas, Portugal ocupa o terceiro lugar na União Europeia em dificuldades de recrutamento, a par do Luxemburgo com 35%, atrás de Chipre, 39%, e Malta, 38%. O levantamento reforça que a escassez de trabalhadores já representa um travão estrutural para a atividade empresarial no país.

Roxana Mînzatu, vice-presidente da Comissão Europeia para os Direitos Sociais, Competências, Emprego de Qualidade e Preparação, afirmou em comunicado que as PME são vitais para a economia europeia e precisam de acesso urgente a trabalhadores com as competências adequadas. Entre as empresas portuguesas que tentam recrutar internacionalmente, 18% procuram trabalhadores da construção, 12% engenheiros industriais ou mecânicos e 9% profissionais de tecnologias de informação.

O défice de mão de obra estende-se ainda ao processamento alimentar, logística, centros de contacto, vendas e marketing. No setor tecnológico, as maiores carências concentram-se em inteligência artificial, desenvolvimento de aplicações, análise de dados e cibersegurança, áreas em que a adoção em Portugal continua abaixo da média da União Europeia.

Impacto económico e resposta institucional

Perante a limitação da oferta interna, 15% das PME portuguesas tentaram recrutar trabalhadores de fora da União Europeia nos últimos dois anos e 18% procuraram candidatos dentro do bloco, ambos entre os valores mais elevados da Europa. Ainda assim, 71% não recrutam no estrangeiro, sobretudo por não sentirem essa necessidade, 55%, ou por considerarem a burocracia demasiado complexa, 8%.

Entre as empresas que contratam internacionalmente, 44% classificam o processo como relativamente fácil, enquanto 28% o consideram muito difícil e 21% difícil. O principal obstáculo apontado é a identificação de candidatos adequados, referida por 23% dos inquiridos, seguida pela falta de recursos internos de recursos humanos para gerir esse recrutamento, 18%.

O IEFP tem programas para apoiar imigrantes inscritos nos centros de emprego, com formação e apoio à procura de trabalho, enquanto o quadro Portugal 2030 prevê medidas de apoio às PME na contratação de pessoal qualificado. O país também dispõe de vistos dirigidos a especialistas em tecnologia e inovação, além de subsídios que podem cobrir salários e custos de formação durante períodos definidos.

Para os trabalhadores em Portugal, a escassez de talento tende a reforçar salários e poder negocial, sobretudo na construção, tecnologias de informação e hotelaria, mas também aumenta a pressão sobre equipas já subdimensionadas. Para investidores e empresas com planos de expansão, o quadro implica processos de contratação mais longos, custos salariais mais elevados e maior necessidade de investir em formação ou recrutamento internacional.

Na nossa publicação anterior sobre a paragem de produção na fábrica da Mitsubishi Fuso no Tramagal, explicámos que a unidade deverá suspender a atividade em julho de 2026 e que a empresa admitiu um eventual lay-off que pode abranger até 400 trabalhadores, no âmbito de uma reorganização ligada à transição energética no setor automóvel. Referimos ainda que o Governo e o IEFP estão a acompanhar o processo e a preparar respostas de formação para os trabalhadores potencialmente afetados.

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