Mitsubishi Fuso prepara eventual lay-off até 400 trabalhadores no Tramagal em julho de 2026
A fábrica da Mitsubishi Fuso no Tramagal enfrenta uma paragem de produção prevista para julho de 2026, num processo ligado à reorganização industrial e à transição energética no setor automóvel. O Governo confirma que a empresa comunicou ao IEFP a intenção de avançar com um eventual lay-off que poderá abranger até 400 postos de trabalho nesse período.
Destaques
- Mitsubishi Fuso comunicou intenção de avançar com eventual lay-off de até 400 trabalhadores em Tramagal durante julho de 2026, aguardando decisão final.
- Em abril, empresa confirmou que não haverá produção na fábrica de Tramagal em julho devido à transição do modelo europeu de encomendas e distribuição.
- Suspensão temporária justifica-se por adaptação à transição energética, com fim da produção de veículos Canter a gasóleo até 3.500 kg para o mercado europeu e foco no eCanter elétrico.
Governo acompanha plano laboral para julho de 2026
Segundo a Lusa, o Ministério do Trabalho indica, numa resposta enviada ao PCP e datada de 15 de maio, que o IEFP está em articulação direta com a Mitsubishi Fuso depois de a empresa ter comunicado a intenção de avançar com um eventual processo de lay-off. O documento refere que a medida poderá envolver até 400 postos de trabalho durante o mês de julho de 2026 na unidade industrial do Tramagal, no concelho de Abrantes.O Governo acrescenta que, em 30 de março, responsáveis do IEFP e da empresa realizaram uma reunião para preparar respostas formativas destinadas aos trabalhadores potencialmente abrangidos. O instituto aguarda agora uma decisão da Mitsubishi Fuso sobre o avanço do processo.
A tutela refere também que não foi comunicada à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho qualquer situação de despedimento coletivo, nem foi pedida a abertura de um processo de prevenção de conflitos. A Autoridade para as Condições do Trabalho realizou ainda uma visita inspetiva à fábrica, sem que até ao momento tenha sido requerido qualquer processo de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contratos por crise empresarial.
Impacto industrial e reação política em Abrantes
Num comunicado divulgado hoje, a Comissão Concelhia de Abrantes do PCP afirma que a resposta do Governo mostra que o executivo conhece a situação desde março. Os comunistas acusam o Governo de se limitar a acompanhar o processo, apesar do impacto potencial sobre trabalhadores e famílias, e defendem a proteção dos postos de trabalho e dos salários.Em abril, a Mitsubishi Fuso confirmou que não está prevista produção na fábrica do Tramagal durante o mês de julho, no quadro de um ajustamento do planeamento operacional associado à transição do modelo europeu de encomendas e distribuição. Na mesma altura, a empresa admitiu adaptar a estrutura de recursos humanos através de um programa de saídas voluntárias, enquanto o SITE-CSRA apontou para a saída de cerca de 40 trabalhadores e alertou para a aplicação de um regime de lay-off durante a paragem.
A administração justifica a suspensão temporária da produção com uma adaptação à transição energética. A unidade deixa de produzir para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilogramas e passa a concentrar-se em veículos de maior dimensão e na versão elétrica eCanter, cuja produção para a Europa está concentrada no Tramagal. Segundo fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation, a reorganização integra uma resposta internacional do grupo às exigências ambientais do setor automóvel europeu.
A fábrica emprega cerca de 400 trabalhadores permanentes, segundo a empresa, enquanto o sindicato estima um total próximo de 500, incluindo contratos temporários.
Na nossa publicação anterior sobre o primeiro leilão europeu dedicado à descarbonização do calor industrial, explicámos que a UE vai atribuir cerca de 400 milhões de euros a 65 projetos para substituir sistemas a gás natural por tecnologias limpas, com Portugal entre os países beneficiários. O artigo destacou ainda que esta iniciativa é um piloto para reforçar o apoio à descarbonização industrial e já abre caminho a uma nova ronda em 2026, com um orçamento de mil milhões de euros.
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